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Trânsito da Capital padece com o aumento da frota

Estimativa é de que 94 veículos entrem em circulação por dia em Porto Alegre

Área da Estação Rodoviária é um exemplo dos conflitos diários
Área da Estação Rodoviária é um exemplo dos conflitos diários Foto : Camila Domingues
Os congestionamentos, antes restritos aos horários de pico, viraram rotina em Porto Alegre. Alguns motoristas não mais se referem à distância em quilômetros para quantificar o deslocamento entre a casa e o trabalho. "O que marca o trecho percorrido é o relógio, e não o marcador de quilometragem do veículo", sintetiza o coordenador do curso de Tecnólogo de Segurança de Trânsito e Segurança Privada da Ulbra, delegado Leonel Carivali.

Para ele, os conflitos que afunilam as vias são decorrentes do aumento desenfreado da frota. A tendência é de agravamento. "Basta percorrer ruas e avenidas para constatar os problemas de circulação", observa. Devido aos transtornos do tráfego, são comuns as trocas de insultos entre condutores por espaço.

Os principais afunilamentos estão nas entradas da cidade, com ênfase para a avenida Castelo Branco, no trecho entre o vão móvel do Guaíba e os acessos à avenida Mauá e ao Túnel da Conceição. Outro ponto conturbado é enfrentado por quem chega à Capital via BR 116. "O caos está instalado em vias do Centro, como as avenidas Mauá, Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros, Salgado Filho, Farrapos, João Pessoa e Independência", relata.

O Túnel da Conceição e o conhecido "xis" da Rodoviária também são motivadores de transtornos. "É preciso trabalhar com inteligência estrutural para atenuar os engarrafamentos. Do contrário, em curto espaço de tempo haverá necessidade de rodízios", assinala Carivali, acrescentando que, em horários de grande movimento, existem poucas alternativas de acesso a Porto Alegre e de saída do Centro.

Os problemas são tantos que a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) promete intervir nas principais radiais da cidade, em resposta ao crescente problema de trânsito na Capital. O diretor de Operações do órgão, Vanderlei Cappellari, projeta o fim dos conflitos no entorno da Rodoviária com os investimentos previstos nos preparativos para a Copa.

Capital encerrou 2009 com uma frota de 659 mil veículos

O delegado Carivali lembra que saídas e entradas da cidade são as mesmas há décadas, acrescentando que o trânsito ficou estagnado na área central, com chances de piorar até a Copa de 2014. Para a presidente da Fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga, Porto Alegre precisa de intervenções efetivas, com prazo de validade mínimo de 20 anos. "Não podemos continuar convivendo com obras imediatistas e de poucos resultados", frisa.

Diza defende que sejam definidas medidas que levem em consideração o volume de novos emplacamentos de veículos, que aumenta ano a ano. A Capital encerrou 2009 com uma frota de 659 mil veículos. No mesmo período, 11,7 mil veículos foram baixados e 8,6 mil transferidos para outros estados. Já a frota estadual atual soma 4,4 milhões - 6,74% superior a de 2008.

A estimativa é de que 94 veículos entrem em circulação por dia em Porto Alegre. Se mantido o ritmo atual de crescimento, até dezembro serão 700 mil veículos. No final do primeiro trimestre, a frota totalizava 667.536. Há um veículo para cada dois habitantes da Capital - alcançando a média de São Paulo.