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Trânsito na área da Rodoviária prejudica saída de passageiros na volta de feriados

Agentes da EPTC orientavam motoristas para tentar minimizar o fluxo no domingo

Agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) orientavam motoristas para tentar minimizar o fluxo
Agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) orientavam motoristas para tentar minimizar o fluxo Foto : Guilherme Testa

O movimento intenso de motoristas particulares, de táxi e de transporte por aplicativo no local costuma trazer incomodações e é muito comum ver dezenas de pessoas que desceram dos ônibus intermunicipais ainda terem mais um desafio antes de terminar propriamente a viagem. Nesse domingo, foi um desses dias. 

Atualmente, os condutores de apps dividem com os veículos normais as áreas de embarque e desembarque, mas não podem ficar mais do que alguns segundos esperando pelo passageiro sem risco de penalização. Por isso, não é raro que viagens sejam canceladas pelos próprios motoristas. “Estou esperando pelo terceiro. No celular, diz que ele vem em dez minutos, tomara que dê certo”, disse a vendedora Giulia Moraes, que veio do município de São Jerônimo com dois filhos e algumas malas. Já a aposentada Dalva Fabrin aguardava pelo carro da filha com uma tática. “Fico mais perto da esquina, próximo à saída para a Freeway, que é mais fácil de me achar aqui na ponta. Mais para a entrada é muita tranqueira”, conta a simpática senhora, que retornou de Garibaldi, na serra gaúcha.

Agentes da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) orientavam motoristas para tentar minimizar o fluxo. “Pela faixa direita, pela faixa da direita!”, dizia uma servidora, que revelou ter menos trabalho que em outros feriados. De acordo com o diretor de Operações do terminal, Giovanni Luigi, a venda de bilhetes de viagem manteve a média no fim de semana, que não foi prolongado. “Foi como um final de semana normal, não deu nada de movimento. Fraco mesmo”, observa. Luiggi espera melhora de público para o próximo feriado, em que se comemora a proclamação da República do Brasil. “Vamos torcer para o feriado do dia 15”, completa. Dezenas de taxistas se posicionaram na sua tradicional área exclusiva na rodoviária. “Se tem agentes da EPTC, está tranquilo. Do contrário, é difícil”, disse rapidamente Théo Santos, taxista que, logo, abria o seu porta-malas para as malas de uma passageira.

O vereador Professor Wambert (PROS) protocolou, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, um projeto de lei para que sejam criadas duas zonas exclusivas de embarque e desembarque para veículos que operem pelo sistema de aplicativo, na Estação Rodoviária e, também, no Aeroporto Salgado Filho. “Recentemente, na Rodoviária, um motorista foi multado por esperar por 25 segundos até que o passageiro identificasse o veículo e entrasse no veículo. É um risco que compromete o ganha-pão desses profissionais, já que o acúmulo de pontos retira deles o direito a trabalhar”, reforçou.

O presidente da Associação Liga dos Motoristas de Aplicativos do Rio Grande do Sul (Alma-RS), Joe Moraes, diz que a movimento intenso na rodoviária, principalmente, durante feriados, é recorrente. “Esperamos há tempo por estas áreas exclusivas, inclusive, são previstas no projeto de regulamentação da profissão. Há uma emenda que cita áreas de embarque e desembarque em locais de maior fluxo, como ocorre no aeroporto”, salienta. Aos que reclamam dos cancelamentos de corridas pelos motoristas, Moraes explica que o motivo é a perda financeira, seja por diminuição de viagens com os congestionamentos ou o risco de multas. “Esperar mais é complicado ali, tu acabas trancando o trânsito e é multado na certa”.

O posicionamento da entidade é que se espere o tempo necessário para embarque e desembarque. “Nem um minuto a mais ou menos. Pedimos que os passageiros estejam prontos na hora que o motorista chega. Alguns pedem pelo aplicativo quando saem dos ônibus e nem pegaram as malas. Uma corrida de R$ 5 não compensa uma multa de R$ 200”, conclui. Moraes alerta aos motoristas que buscam passageiros no outro lado da rua, em frente aos hotéis, onde é proibido. “É permitido desembarcar na rodoviária. Os usuários devem se atentar a isso. Alguns pedem três motoristas ao mesmo tempo. Esse motorista que acaba esperando em vão não volta mais à rodoviária”.

Segundo o diretor de operações da EPTC, Paulo Ramires, todos os finais de semana costumam receber atenção especial pelo movimento de pessoas que chegam ou vão embora de Porto Alegre. “Reforçamos nosso efetivo quando há feriado. Agentes fazem orientações, controlam os semáforos e auxiliam a desafogar o trânsito no embarque e desembarque”, explica, lembrando que ontem ainda havia um clássico Gre-Nal, o que aumenta a preocupação com o tráfego da Capital. Além de agentes, segundo Ramires, a EPTC dispõe de funcionários para eventuais manutenções de equipamentos e no Centro de Controle. “É possível alterar o tempo de 95% dos semáforos, se analisarmos a necessidade”, frisou.

Para quem acredita que a localização da rodoviária não atende a grande demanda atual, Ramires é enfático. “Já se falou muito em mudar de lugar, mas todos os estudos técnicos feitos ali mostram que o melhor local é onde a rodoviária está”, ressalta, acrescentando que mudanças e estrutura seriam onerosas demais. A licitação para concessão da Rodoviária de Porto Alegre deverá ser lançada até o fim do ano. O investimento previsto é de R$ 76,7 milhões em obras e cerca de R$ 460 milhões em despesas operacionais no terminal durante 25 anos de contrato. “Claro que são necessárias melhorias na infraestrutura viária, mas a nova concessionária fará as obras que precisam para que o cenário mude”, reforçou Ramires, que lembrou há ainda outros três pontos de atenção constante da EPTC para acesso a Porto Alegre: a avenida Assis Brasil, a 3ª Perimetral e a avenida Bento Gonçalves (motoristas que chegam pela RS-040)