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Trabalhadores do Mercado reclamam de obstrução de esgoto e falta de PPCI

Vereadores estiveram no local nesta sexta-feira e devem cobrar melhorias da prefeitura

Vereadores estiveram no Mercado nesta sexta-feira e devem cobrar melhorias da prefeitura
Vereadores estiveram no Mercado nesta sexta-feira e devem cobrar melhorias da prefeitura Foto : Alina Souza
Obstrução de esgoto, desproteção da chuva, violência externa. Esses são alguns dos principais problemas que trabalhadores e usuários do Mercado Público de Porto Alegre precisam enfrentar diariamente. A eles, se soma a falta de um Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) que impede que o funcionamento do segundo andar desde o incêndio registrado no local em 2013. As demandas foram passadas por permissionários a um grupo de vereadores na manhã desta sexta-feira, em edição do Câmara na Rua. O poder Legislativo, agora, deve cobrar melhorias e posicionamentos da prefeitura.

A obstrução dos esgotos é um dos pontos que mais incomoda quem trabalha no Mercado. Em dias de chuva, segundo eles, os bueiros chegam a levantar com o volume de água. “A prefeitura esqueceu da gente”, definiu a responsável por uma das bancas, Valéria Di Lorenzo. Além de já ter sido assaltada do lado de fora e de reclamar de questões como limpeza e organização, afirmou que, durante o último temporal, ela e outros comerciantes precisaram fechar mais cedo.

Em um vídeo, registrado por funcionários de uma peixaria, é possível perceber a gravidade da situação do espaço comercial durante o temporal. Sem a proteção necessária, é como se de fato chovesse dentro do local. Segundo os trabalhadores, que não quiseram se identificar, o problema começou depois do incêndio. Apesar da falta de instrutura, eles afirmam que somente o aluguel do ponto é de R$ 1,1 mil sem contar despesas como água, luz e limpeza.

Permissionário do Mercado Público há mais de 30 anos, Manuel Carvalhal lembra que o local já teve fundo próprio com recursos entre R$ 4,5 milhões e R$ 5 milhões, que eram administrados por diversas secretarias municipais. De acordo com ele, esse fundo não existe mais e o Executivo foi deixando o espaço desassistido. “Começaram a dizer que dava prejuízo”, comentou o comerciante, que também disse que a afirmação não é verdadeira.

Os permissionários não somente consideram que o Mercado seja superavitário, como se mobilizaram para garantir as melhorias necessárias. Além de já ter gasto R$ 120 mil em um transformador, a Associação do Comércio do Mercado Público Central (ASCOMEPC) mobilizou R$ 1,5 milhão para conseguir o PPCI, que contempla cisterna, reforma de escadas fixas e alargamento ou troca das escadas rolantes. De acordo com a diretora Adriana Kauer, o pedido para assumir a questão foi feito à Prefeitura em maio do ano passado, mas somente no próximo dia três a permissão deve ser assinada. Atualmente, o Mercado Público se encontra sem PPCI e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi ajuizado pelo Ministério Público.

“Nós acompanhamos in loco a situação, identificamos os problemas, enumeramos, buscamos apontar soluções e oferecemos isso via um documento ao Executivo”, disse o presidente da Câmara de Vereadores, Valter Nagelstein (PMDB), sobre o encaminhamento que será dado. Ainda conforme o vereador, o Legislativo sinaliza um prazo e aguarda respostas e providências. “A Câmara tem uma tarefa legal, constitucional, de fiscalização dos atos do poder Executivo”, afirmou Nagelstein.

Um dos pontos que chamou mais a atenção do presidente do parlamento gaúcho foi referente ao entorno. As imediações do Terminal Parobé contam com diversos comerciantes, principalmente de produtos de hortifrúti, que segundo ele estão ilegais e competem com quem paga opara estar dentro do Mercado. As questões observadas ontem ainda devem ser repercutidas dentro das comissões internas do Legislativo.

A diretoria de Indústria e Comércio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) confirmou que a partir de 3 de março o PPCI deve ser liberado e o segundo andar será aberto. Informou, no entanto, que a segurança do entorno do Mercado passa por patrulha constando da Guarda Municipal, com o apoio da Brigada Militar (BM) no Largo Glênio Peres. Ainda comunicou que a prefeitura realizou manutenção e reparo das calhas no ano passado e que é normal vazão não ser suficiente em dias de temporal.