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Transporte de perna amputada de motociclista leva cerca de três horas

Delegado encaminhou membro ao hospital após negativa do Samu no Vale do Rio Pardo

Carro colidiu frontalmente com a moto CG Titan
Carro colidiu frontalmente com a moto CG Titan Foto : Rodrigo Assmann / Gazeta do Sul
Um motociclista teve a perna amputada depois de colidir contra uma Pajero na manhã desta quinta-feira na RSC 287, entre os municípios de Vale do Sol e Candelária, no Vale do Rio Pardo. O condutor da moto, Cinélio Zingler, de 25 anos, foi levado ao Hospital Santa Cruz após o acidente. Devido a uma falha de comunicação entre o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a concessionária da rodovia e a Polícia Civil de Vera Cruz, a perna do jovem, encontrada a 10 metros do local do acidente, chegou ao hospital mais de três horas depois da colisão.

O motociclista passou por cirurgia nesta tarde e está na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do hospital, em Santa Cruz do Sul. A perna foi levada para o local pela Polícia Civil, mas a reimplantação não foi possível por causa do estado em que estava. O acidente ocorreu às 6h45min. O hospital informou que a chegada do membro ocorreu por volta das 10h. De acordo com a Santa Cruz Rodovias, a perna foi encontrada 20 minutos depois de a vítima ser transportada para atendimento médico.

Segundo o titular da Delegacia de Vera Cruz, o delegado Régis Gomes dos Santos, o Samu foi ao local do acidente, mas a Central de Regulação teria proibido a equipe de realizar o transporte até o Hospital Santa Cruz. Por isso, conforme ele, a viatura da polícia assumiu a responsabilidade de levar a parte do corpo do motociclista.

A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que o resgate da perna não poderia ser feito porque competência do Samu “transportar membros amputados”. A SES também alega que não há registro no Samu de chamado para atendimento médico após o acidente.

“O resgate foi feito pela concessionária da rodovia que não levou a perna amputada durante o acidente junto com a vítima. De acordo com a Coordenação Estadual de Regulação do Samu, horas após o resgate, uma autoridade policial se investiu de uma atitude inusitada e ordenou que o Samu do Município de Vera Cruz fosse buscar a perna amputada e entregá-la ao hospital”, esclareceu em nota emitida à imprensa.

O delegado Santos negou que tenha ordenado o Samu a fazer o recolhimento da parte do corpo do jovem. “Fui ao hospital de Vera Cruz para saber onde estava a vítima e como poderia ser feita a remoção da perna encontrada pelo operador do guincho. O médico plantonista disse que a perna deveria ser removida imediatamente e que estávamos perdendo tempo. Ali me desloquei com o pessoal do Samu para pegar essa perna. Eles estão querendo justificar uma burocracia”, criticou o policial.

Em vez de ser encaminhada para o local onde estava o jovem, a perna foi levada para o hospital de Vera Cruz, para liberar a ambulância a outros atendimentos. “Fui contatado por telefone do hospital dizendo para a gente fazer o deslocamento. Pensei na integridade física da vítima. A gente ligou a sirene e entregou a perna no centro cirúrgico de Santa Cruz do Sul. Penso que esse atraso na remoção é extremamente inadequado”, justificou Santos.

Concessionária

O coordenador de tráfego da Santa Cruz Rodovias, Anderson Corrêa, contou que o atendimento foi feito pela ambulância da concessionária e que a perna não foi levada para o hospital porque estaria com o Samu. “Fizemos o primeiro atendimento e, devido à gravidade, levamos a vítima o mais rápido possível. O operador de remoção dos veículos encontrou a perna uns 20 minutos depois. Nossa ambulância estava em Santa Cruz do Sul e pedimos o seu retorno para resgatar o membro. Quando o veículo chegou ao local do acidente, a perna já estava com o Samu”, explicou, acrescentando que “em nenhum momento” falou com o serviço móvel de saúde. “A gente entendeu que eles levariam até o Hospital.”

Conforme a Santa Cruz Rodovias, havia cerração no momento do acidente, o que dificultava a visibilidade dos motoristas. A concessionária informou que uma Pajero seguia no sentido Candelária – Santa Cruz do Sul quando foi tentar uma ultrapassagem e colidiu frontalmente com a motocicleta CG Titan, que seguia na pista contrária.

Confira a nota da Secretaria de Saúde na íntegra:

A secretaria Estadual da Saúde informa que com relação ao acidente ocorrido na RSC-287, em Vale do Sol não há registro de chamada para Regulação do SAMU 192 sobre o caso.

O resgate foi feito pela concessionária da rodovia que não levou a perna amputada durante o acidente junto com a vítima para o Hospital de Santa Cruz do Sul. De acordo com a Coordenação Estadual de Regulação do Samu, horas após o resgate, uma autoridade policial se investiu de uma atitude inusitada e ordenou que o Samu do Município de Vera Cruz fosse buscar a perna amputada e entregá-la ao hospital.

Como não é de competência do Samu 192 transportar membros amputados, uma vez que a todo momento o serviço pode estar sendo acioado para salvar alguma vida, o Samu buscou a perna e solicitou ao município de Vera Cruz que o transporte até Santa Cruz fosse realizado por um veículo da saúde municipal da saúde, o que foi aceito e acordado.

Porém nesse interím o mesmo delegado de polícia , mas uma vez interferiu no fato e interceptou o translado, pegando a si a responsabilidade de transportar o membro amputado.



*Com informações dos repórteres Otto Tesche e Laion Espíndula

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