Uma pesquisa apontou que, mesmo com a operação do novo sistema de transporte coletivo desde fevereiro deste ano e com o aumento da tarifa para R$ 3,75, 83,5% dos usuários de ônibus de Porto Alegre disseram que a qualidade não melhorou. Entre junho e agosto, participaram da enquete 924 pessoas e 4,5% responderam que o serviço está mais satisfatório. Outros 12% afirmaram que a melhora ocorreu em parte.
Promovida pela bancada dos vereadores do PT, o levantamento revelou que o principal problema, na opinião de 60% passageiros, é a superlotação dos veículos, seguida da falta de cumprimento dos horários (47,6%) e do preço da passagem (44,3%). Outros pontos negativos citados foram o estado de conservação e limpeza dos veículos; a quantidade de linhas e itinerários; a insegurança; a falta de respeito de motoristas e cobradores e a ausência de ar-condicionado. Para a bancada petista, os dados indicam que a licitação do transporte urbano não resultou em qualidade.
"Patrão" quem paga tarifa
O vereador Marcelo Sgarbossa entende que o fato de o preço da passagem não ter aparecido em primeiro lugar, apesar de ser a motivação de inúmeros protestos, deve-se à ideia de que é o “patrão” quem paga a tarifa. A bancada do PT também defende que os recursos do transporte público voltem ao controle do poder público. Desde 2008, por decreto municipal, a gestão do sistema de bilhetagem é realizada pela Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP).
Um projeto de lei, que atualmente tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), busca estabelecer o controle público da bilhetagem e dos recursos como forma de garantir mais transparência. “Em 2013, esse projeto foi rejeitado na Câmara. Agora, voltamos a apresentar essa matéria e esperamos, dessa vez, maior apoio”, disse a vereadora Sofia Cavedon. “Os usuários repassam, por dia, mais de R$ 3 milhões às empresas. Essa é uma receita pública que não deveria estar sendo delegada às empresas”, complementa Mauri Cruz, que já presidiu a EPTC e foi secretário municipal de Transportes entre 1999 e 2000. Ele lembra que a EPTC foi criada, em 1997, para gerir a receita tarifária.
Fase inicial da implantação
O diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, disse que a implantação do novo sistema de transporte e de todos os requisitos do edital de licitação ainda estão numa fase inicial. “Vai haver uma evolução constante até atingir todos os requisitos. Há um cronograma especificado no edital e que será rigorosamente fiscalizado pela EPTC”, afirmou.
“Estamos começando a medir diversos indicadores e caso os consórcios não cumprirem as determinações a multa pode chegar a 1% do faturamento das empresas”, acrescenta. Cappellari também diz que é uma preocupação a queda da receita das empresas operadoras do sistema por conta da redução no número de passageiros. Em 2011, 19,3 milhões de pagantes eram transportados por mês e, em 2015, foram 16,8 milhões, uma diminuição de 13%.
Transporte público não melhorou após licitação, aponta pesquisa
Principal reclamação dos passageiros são os atrasos e superlotação dos ônibus de Porto Alegre