No início da tarde, uma equipe de 30 pessoas da ALL chegou ao local para retirar os vagões da pista e reestabelecer o tráfego no menor tempo possível. Três máquinas do tipo escavadeiras auxiliaram nos trabalhos para a liberação da via. Os vagões devem ser retirados neste sábado ou na segunda-feira. Segundo a empresa, a carga que virou é seca e por isso não há risco de dano ao Meio Ambiente. Alguns moradores da região aproveitaram para saquear a carga exposta na via. Pelos cálculos de Matheus Machado e dos irmãos, eles levaram para casa pelo menos dez sacas de arroz com casca que servirá para alimentar aos animais domésticos. A Brigada Militar acompanhou a movimentação, assim como a maioria dos moradores do distrito.
Da janela da casa, uma moradora que preferiu não se identificar viu quando os trens descarrilaram. Ela contou que o estrondo foi intenso e que a casa, que fica a poucos metros da via férrea, tremeu. Quem também presenciou o acidente foram os moradores José Daniel da Silva Pereira e Valnei Araújo Silva que estavam próximos da via e disseram que os vagões passaram em velocidade acima do normal. Os veículos haviam saído de Uruguaiana com destino ao Norte.
Acidente semelhante há 43 anos
Em 1968, um acidente na mesma via e próximo do local onde aconteceu o descarrilamento hoje vitimou 52 pessoas. Bárbara Domingues, então com 8 anos, estava em um dos vagões acidentados e sobreviveu. Nesta sexta, ela era mais um dos moradores que acompanharam atentos os trabalhos da empresa e lembrou do desse dia que perdeu um irmão. “Foi em 27 de janeiro e o trem fazia o trajeto General Câmara-Porto Alegre. Hoje o acidente envolveu cargas, ainda bem que ninguém se feriu." Até o início da noite, os trabalhos prosseguiam na região.