Ele se desculpou pelos transtornos, embora afirme que a Trensurb não tinha responsabilidade pelo aumento do plano de saúde. “A matéria não era de natureza trabalhista, e sim relação de mercado. O reajuste onerou tanto os empregados, como a empresa”, declarou, explicando que os valores das mensalidades são subsidiados pela Trensurb em 50%. Depois de negociações intermediadas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região e pelo
Ministério Público do Trabalho (MPT), os grevistas aceitaram a antecipação de parte da reposição salarial de 2014 e alteração da cobrança do plano com base em faixas de vencimentos.
Caso a proposta não fosse aceita, a Trensurb ingressaria com um processo de abusividade e outro pedindo a volta imediata das operações. “O processo já estava pronto com a Justiça”, afirmou o diretor. Para Kasper, a decisão de parar as operações foi equivocada. “Tínhamos 30% do pessoal em greve. A maioria era de operadores de trens. Os outros sofreram constrangimento”, disse. Segundo ele, a intenção da empresa era manter o funcionamento com os servidores que não haviam aderido ao movimento do Sindicato dos Metroviários do Rio Grande do Sul (Sindimetrô/RS). Porém, optou por seguir o que havia sido acordado com o MPT e só operar em horários de pico. No primeiro dia de greve, manifestantes chegaram a invadir os trilhos para não permitir que os trens voltassem a funcionar.
Nesta sexta, primeiro dia depois da greve, a rotina das viagens das composições já estava normal logo cedo. A atendente Karine da Silva, 21 anos, se surpreendeu positivamente quando encontrou a Estação Mercado aberta após as 8h30min. “Durante a greve, chegava atrasada no trabalho, porque tinha que pegar ônibus e tinha trânsito”, comentou. Outro que estava comemorando era o encarregado de obras Jonas Hernandez, 24 anos. O jovem, que mora em Viamão, e trabalha próximo à Estação Farrapos, precisava gastar passagem de coletivo para voltar para casa.
O comércio nas estações também ficou prejudicado durante a greve. Uma lancheria, na Estação Mercado, tentava recuperar o faturamento e vender o que ficou parado no período de paralisação.
Segundo o Sindimetrô/RS, o reajuste do Plano de Saúde dos funcionários da Trensurb, fixado em 45%, é abusivo. Nos últimos cinco anos, o aumento foi de 156%.