A maior diferença está entre os 3.444 servidores do tribunal, dos quais 1.680 são mulheres e 1.764 são homens. Para administrar toda essa estrutura, a presidente do TRT4 conta com um orçamento de mais de R$ 1 bilhão. “A atribuição da presidente é gerir esse grande tribunal, considerado o quinto do Brasil, ficando atrás somente das instituições de São Paulo, Campinas, Minas Gerais e Rio de Janeiro”, lembrou Cleusa Halfen, que atua ao lado da vice-presidente Ana Luiza Heineck Kruse, da corregedora Beatriz Renck e da vice-corregedora Carmen Izabel Gonzalez.
A desembargadora-presidente do TRT4 conta que iniciou muito jovem no trabalho. O primeiro emprego, aos 14 anos, foi em escritórios de empresas privadas e depois em bancos, na sua cidade natal, Pelotas. No Tribunal Regional do Trabalho, Cleusa entrou como servidora concursada e foi galgando postos. Passou por muitas cidades e deparou com diferentes estágios da profissão.
“No início, as condições de trabalho eram precárias, especialmente para as mulheres que passavam, muitas vezes, a semana toda longe de casa e tinham que deixar os filhos aos cuidados dos pais e das avós”, comenta. Ela conseguiu conciliar as tarefas. Criou duas filhas, hoje formadas em Direito.
Com a experiência adquirida com o trabalho e a vida, a desembargadora vê características diferentes entre homens e mulheres. “Temos traços mais intensos de sensibilidade, de afetividade. Somos mais detalhistas, muito dedicadas, e isso acaba humanizando a gestão. Mas a competência depende das qualidades de cada um, independentemente do gênero”, avaliou a presidente do TRT4. “A minha trajetória prova a força da persistência das mulheres. Eu me sinto muito feliz e realizada na carreira que escolhi”, acrescentou Cleusa.