Os aeronautas e aeroviários representados pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), ligada à CUT, vão fazer paralisação entre as 6h e as 8h desta quarta-feira. A expectativa é que cerca de 300 voos sejam afetados. A paralisação deve ocorrer no Salgado Filho em Porto Alegre, e também nos aeroportos de Brasília, Guarulhos e Congonhas (São Paulo), Viracopos (Campinas), Santos Dumont e Galeão (Rio), Recife, Fortaleza, Florianópolis, Curitiba e Salvador. Entretanto, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) atendeu liminar do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) e determinou que os organizadores da greve mantenham efetivo de 80%. A multa diária é de R$ 100 mil caso não seja atendida.
Na paralisação estão aeroviários (agentes de check-in, auxiliares de serviços gerais, mecânicos de aeronaves, agentes de bagagem, operadores de equipamentos) e aeronautas (pilotos, copilotos, comissários de voo, mecânicos e engenheiros de voo). Apesar da decisão dos 80% de efetivo, o Snea, que representa a TAM, Gol, Azul e Avianca, orienta os passageiros com viagem marcada no horário da paralisação a entrar em contato com a companhia aérea para checar o status do voo. Quem optar por manter voos previstos para o horário deve usar os canais eletrônicos (sites e aplicativos e totens de aeroportos) para antecipar o check-in e evitar transtornos.
As categorias decidiram pela paralisação após rejeitar em assembleias realizadas na última sexta-feira as propostas das empresas aéreas que previam pagamentos parcelados por faixas salariais, não retroativos à data-base. As categorias reivindicam reajuste de 11% nos salários e benefícios retroativos à data-base, que fará a recomposição das perdas inflacionárias.
O Snea informou que apresentou seis propostas aos trabalhadores, mas todas foram recusadas. A entidade argumenta que nos últimos dez anos as companhias aéreas promoveram o reajuste dos salários pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com reajustes acima da inflação, além de ganhos nas cláusulas sociais.
De acordo com o sindicato, nos últimos anos a aviação comercial vem tendo prejuízos, e a última proposta apresentada, de reposição pelo INPC de forma parcelada, contempla o que é possível pelas companhias. O Snea diz que continua aberto a negociações para evitar transtornos para os passageiros. Após as paralisações, os sindicatos dos aeronautas farão assembleias, a partir das 9h30min, para decidir pela continuidade do movimento grevista ou pela suspensão temporária.
TST determina manutenção de 80% do efetivo em paralisação de aeroportos
Aeronautas e aeroviários prometem suspender atividades nos principais terminais do país