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Vândalos picham morador de rua

Agressores não foram identificados

Vândalos picham morador de rua
Vândalos picham morador de rua Foto : Cristiano Estrela
Um morador de rua conhecido como Ratinho, de 35 anos, teve o corpo pichado com tinta spray de cor prata quando dormia na madrugada de hoje na esquina da rua Lobo da Costa com a avenida João Pessoa, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. Ao amanhecer, ele acordou e surpreendeu-se ao constatar que estava completamente pintado, inclusive com o rosto todo coberto de tinta. Há suspeita de que os autores da agressão sejam os mesmos que desembarcaram de um Volkswagen Polo em torno no início da manhã e urinaram na vítima quando ainda dormia. Uma mulher, que estava em uma parada de ônibus, testemunhou a cena e anotou a placa do veículo. O 9º BPM foi acionado.

Acionados, os policiais militares foram até o local e levaram o morador de rua e a testemunha para o posto da 3ª Cia. do 9º BPM, localizado na Redenção, na esquina da avenida Osvaldo Aranha e José Bonifácio, no bairro Bom Fim, antes de encaminharem o caso para a Polícia Civil. “É horrível”, desabafou a mulher que viu os ocupantes urinando em cima do morador de rua. Ela não sabe se foram os mesmos que pintaram antes a vítima. No posto da BM na Redenção, o tenente Nilson Neri, do 9º BPM, pretendia verificar, através da placa, quem era o proprietário do veículo suspeito.

O oficial lamentou que pessoas com poder aquisitivo e informação sejam capazes de cometer o que qualificou de prevalecimento contra um morador de rua. “Não consigo entender isso”, afirmou o tenente, assegurando que a Brigada Militar não vai tolerar atos semelhantes.

Após o registro da ocorrência, a vítima seria levada depois para uma limpeza e remoção da tinta no Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ratinho, que vive nas ruas há cerca de dez anos, estava abalado emocionalmente com a agressão. “É triste. Eu não vi pois estava dormindo”, desabafou ainda desnorteado com toda a situação e com o incômodo da tinta sobre o rosto e o resto do corpo e das roupas. Ele teme voltar ao mesmo local onde costuma dormir e ser novamente atacado. “Não sei o que faço agora”, afirmou, acrescentando que a agressão foi muito mais do que “uma sacanagem”, pois não estava incomodando ninguém. “Espero que estas pessoas não façam nenhum outro mal para alguém como fizeram comigo”, pediu enquanto aguardava o registro da ocorrência no posto policial.

Ainda durante a manhã desta sexta-feira, o 9º BPM foi mobilizado para um outro caso envolvendo morador de rua. O corpo de um sem-teto foi encontrado junto do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Sem marcas visíveis de violência, a primeira suspeita é de que ele teve uma morte clínica. O Departamento Médico Legal (DML) deve esclarecer a causa da morte do morador de rua, que não portava documentos.