Um vírus comum na infância pode desencadear alergia ao glúten e levar à doença celíaca, um transtorno autoimune que afeta um em cada 400 brasileiros. A informação é de pesquisa divulgada nesta quinta-feira pela Universidade de Chicago. A doença celíaca ocorre quando o corpo tem uma resposta imune inadequada, proteína presente no trigo, no centeio e na cevada.
A doença danifica o revestimento do intestino delgado e não tem cura - só pode ser tratada com a eliminação do glúten da dieta. Mas se o estudo publicado nesta quinta-feira na revista Science for confirmado em pesquisas mais amplas realizadas com humanos, uma vacina poderia, no futuro, prevenir a doença celíaca.
"O estudo mostra claramente que um vírus que ainda é clinicamente assintomático pode afetar o sistema imunológico e preparar o cenário para um transtorno autoimune e para a doença celíaca em particular", avaliou Bana Jabri, autora principal da pesquisa e diretora no Centro de Doença Celíaca da Universidade de Chicago. O estudo descobriu que vírus intestinais chamados reovírus podem fazer o sistema imunológico reagir exageradamente ao glúten, uma proteína que já é difícil de digerir.
Inoculado em ratos, "um reovírus humano comum desencadeou uma resposta imune inflamatória e a perda da tolerância oral ao glúten, enquanto que outra cepa estreitamente relacionada mas geneticamente diferente não fez isso", disse o estudo. O vírus provoca um aumento de anticorpos que podem deixar uma "marca permanente no sistema imunológico que prepara o terreno para uma resposta autoimune posterior ao glúten". A maioria das crianças começa a comer cereais que contém glúten por volta dos seis meses de idade, um momento em que seus sistemas imunológicos são mais vulneráveis aos vírus.
Vírus assintomático pode causar alergia ao glúten e desencadear doença cilíaca
Corpo teria resposta imune inadequada à substância após contato com microorganismo