Lembrada como uma pessoa tranqüila e inteligente, ela dava aulas há um ano em uma escola de Ensino Médio em Santa Maria, apesar da pouca idade. “Ela tinha entrado para um grupo de estudos de filosofia e já estava com todas as aulas programadas até novembro”, recorda sua mãe, a auxiliar de nutrição Carina Corrêa, 34, que nesta terça-feira foi para a frente da prefeitura, com o rosto da filha estampado na camiseta, exigir uma resposta.
“Se tu montares uma carrocinha de cachorro-quente, tem de ter mil e um alvarás que a prefeitura te cobra. Mas uma empresa grande não tinha”, reclamou a mãe, que considera a tragédia fruto da “imprudência, negligência e falta de iniciativa dos responsáveis”.
Desde pequena, Thanise queria conhecer o mundo. A viagem para a Macchu Picchu estava programada para o ano que vem, mas ela já havia começado a juntar dinheiro. “Ela sempre gostou de conhecer lugares novos e culturas diferentes”, explicou Carina. A viagem mais longa que a garota fez foi para a Amazônia, onde vive o pai, mas conhecer a Europa também estava nos planos. Admiradora de Karl Marx, pretendia aprender o idioma alemão para ler os livros do comunista na versão original.
Thanise jamais havia entrado na boate Kiss até a noite de sábado, quando foi ao local para comemorar o aniversário de um amigo. Antes de ir, ligou para a mãe por volta da meia-noite para se despedir. “Não ia qualquer tipo de gente ali. Não tinha gente brigando, gente com faca, então eu achei que ela estava tranqüila”, lembrou a mãe.