Rauliete Guedes e o filho tinham dois apartamentos no prédio e conseguiram recomeçar a vida, comprando novos imóveis pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O que ela tinha no Palace 2 foi implodido após a tragédia, enquanto o do filho foi perdido no desabamento.
O Palace 2 tinha 176 apartamentos. A última família que estava morando em um hotel por decisão judicial foi expulsa por ordem da própria Justiça, devido ao não pagamento das diárias pela construtora Sersan, responsável pela obra que desabou.
O dono da construtora, Sérgio Naya, morreu em Ilhéus (BA), em 2009, o que agravou o problema, já que os bens que possuía acabaram reunidos em espólio. “Vai aumentando o montante e fica por isso mesmo”, reclamou Rauliete.
O advogado da associação, Nélio Andrade, confirmou que o processo está parado há quatro anos, após a venda de um imóvel pertencente à Sersan, cujo valor foi depositado em juízo. “Tem R$ 5,3 milhões depositados em conta judicial para fazer a partilha. Em quatro anos, o juiz não liberou o dinheiro”. A situação, segundo ele, é de penúria para muitas famílias.
As indenizações variam de acordo com a situação das famílias – inquilinas ou proprietárias – na época do desabamento do Palace 2 e também com o fato de terem perdido algum parente. Andrade disse que os valores oscilam de R$ 200 mil a mais de R$ 1 milhão por família. Somando todas as indenizações devidas, o montante atinge cerca de R$ 70 milhões, com as correções e juros.
O advogado encaminhou à 4ª Vara Empresarial do Rio documento mostrando que o cálculo feito pelo contador indicado pela Justiça está errado. Andrade analisou que a morosidade da Justiça é muito grande. “É má vontade. Não tem outra explicação”, assegurou. “Se tem o crédito para as famílias, por que vai mandar fazer cálculo?”, indagou.
Ainda há vários imóveis da construtora Sersan e de Sérgio Naya para serem leiloados. “Eu tornei o patrimônio dele indisponível no país todo”, disse o advogado. Alguns imóveis apresentam dívidas referentes a impostos atrasados. Andrade relatou que um terreno que valia na época R$ 40 milhões teve que ser alienado por R$ 9 milhões, devido às dívidas e problemas no imóvel. “Tudo com relação aos imóveis do Sérgio Naya era enrolado”.
Nélio Andrade disse que acompanha com preocupação a situação dos clientes. “Tem gente que ficou doente mental, que se separou... as pessoas não conseguiram restabelecer sua vida ainda. Passados 15 anos, as pessoas ainda estão traumatizadas com isso”, comentou. “Cada ano que passa, as famílias vão revivendo a tragédia”.