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Vazamento de óleo está na rota de baleias e golfinhos, alerta Minc

Governo deve aplicar os “corretivos decorrentes da lei” à empresa responsável pela exploração do campo

O secretário estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, disse nesta quinta-feira que acompanha com preocupação os desdobramentos do vazamento de petróleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, norte do estado. A responsabilidade pela exploração da área é da empresa Chevron Brasil Upstream. De acordo com Minc, a região faz parte da rota migratória de baleias, como a jubarte, e golfinhos, que podem ser prejudicados.

“Estamos realmente preocupados. Nesta época do ano, esses animais vêm do norte para o sul em busca de local para reprodução e de um tipo de camarão, do qual eles se alimentam. Além disso, há um fenômeno natural chamado corrente rotor, que é perto da região do acidente e que, como um liquidificador, leva o que chega ali para perto de Arraial do Cabo e de Búzios [municípios do litoral norte do estado do Rio]”, explicou ele.

O secretário informou que vai sobrevoar a região nesta sexta-feira em um helicóptero da Marinha, e que três equipes do governo estadual monitoram o litoral norte fluminense para identificar manchas de óleo que possam ter sido trazidas pelas correntes marítimas. Carlos Minc também disse que os impactos do vazamento reforçam a necessidade de que sejam mantidas as regras atuais de distribuição dos royalties do petróleo apenas para os estados e municípios produtores, como forma de garantir a compensação por danos ambientais. “Se esse óleo chegar à praia não vai chegar a Rondônia ou ao Tocantins, mas a Arraial do Cabo, a Rio das Ostras e a Campos dos Goytacazes”, disse ele, que participou, esta manhã, de uma solenidade do Programa de Aceleraçãodo Crescimento (PAC) na Baixada Fluminense.

Corretivo aos responsáveis por vazamento


O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje que o governo está cobrando rigor na fiscalização das ações de contenção do vazamento de óleo no Campo de Frade. Segundo ele, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deve aplicar os “corretivos decorrentes da lei” à empresa Chevron Brasil Upstream, responsável pela exploração do campo.

“Se a Chevron não está cumprindo o papel dela, mais severamente punida ela será”, avisou o ministro. Para ele, o vazamento não é tão grave porque o óleo não está se espalhando na direção da costa fluminense. “Obviamente, não é uma coisa boa, mas não tem também a gravidade que se anuncia”.

O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Curt Trennepohl, viajou hoje para o Rio de Janeiro para acompanhar de perto as ações de contenção do vazamento. Em nota, Trennepohl informou que, assim que tomou conhecimento do vazamento, o Ibama mobilizou as equipes da Coordenação Geral de Petróleo e Gás e da Coordenação de Emergências Ambientais do Ibama para acompanhar as medidas adotadas pela Chevron.

A mancha de óleo está a cerca de 120 quilômetros do litoral do município de Campos e tem 163 quilômetros quadrados de área. Segundo o Ibama, a empresa será autuada assim que o vazamento for estancado, pois o valor da multa é proporcional ao dano ambiental causado, que só poderá ser avaliado ao final dos trabalhos.

A responsabilidade pela contenção do vazamento e pela retirada do óleo derramado no oceano é da Chevron. O Ibama deve verificar e exigir o cumprimento de todas as medidas previstas no Plano de Emergência Individual (PEI), que é exigido no processo de licenciamento de atividade de exploração de petróleo.

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