Somente a Petrobras acumulou, em 2010, um crescimento de 163% de aumento de algum tipo de vazamento em relação ao ano anterior. Em 2009, o volume de petróleo e de seus derivados derramado foi de 1.597 mil barris, enquanto, em 2010, esse número chegou a 4.201 mil barris, quase o dobro do que teria sido derramado pela Chevron recentemente. Esses números estão bem acima do chamado Limite Máximo Admissível usado pela estatal, que e de 3.895 mil barris. Por conta destes incidentes, a empresa recebeu 21 autos de infrações ambientais, totalizando mais de R$ 80 milhões em multas, valor 131% maior do que o autuado em 2009.
Para os especialistas na área, falta uma fiscalização mais rigorosa nos pequenos vazamentos, como os que acontecem em oleodutos, refinarias em terra, navios e bases. "Por serem pequenos, esses vazamentos não têm muito controle, mas devem ter um impacto ambiental grande", alerta a advogada ambientalista Beatriz Paulo de Frontin. Para Claudio Pinho, também especialista na área, as empresas não vêm investindo o suficiente na prevenção e combate a acidentes na exploração. "Estamos vivendo uma espécie de corrida tecnológica, com os equipamentos sendo desenvolvidos de forma difusa. A questão é que um vazamento só chama a atenção quando é concentrado", diz o especialista, que é autor de um livro sobre o tema. Já o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, João Carlos França de Luca, garante que "as indústrias investem muito em prevenção. É quase uma obsessão, pois os custos financeiros, o impacto negativo de sua imagem, os impactos ambientais, são muito grandes".
O presidente da Chevron para África e América Latina, o iraniano Ali Moshiri, considerou precipitada a decisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de suspender as atividades de perfuração da companhia no País. Ele espera resolver a questão com base no "bom relacionamento" com o governo.
Chevron está ''magoada'' com a ANP
O presidente da Chevron para a África e a América Latina, o iraniano Ali Moshiri, disse que a empresa está "magoada" com a decisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de suspender as atividades de perfuração da empresa no país, após o vazamento de petróleo no Campo de Frade, no litoral fluminense. Ele considerou a decisão precipitada, mas espera resolver a questão com base no "bom relacionamento" com o governo. "Achamos que foi um julgamento precipitado. Estamos magoados porque fomos chamados de negligentes, após 100 anos de atuação no Brasil (desde 1915)", disse o executivo.
Quarta-feira passada, a ANP suspendeu as atividades de perfuração da Chevron até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento e restabelecidas as condições de segurança na área.
Apesar da mágoa, Moshiri assegurou que a empresa mantém a intenção de investir 3 bilhões de dólares no Brasil em três anos, considerando a área de exploração e produção. A maior parte será no campo de Papa-Terra, na Bacia de Campos. Desde 1997, a companhia já investiu 2,1 bilhões de dólares no País.