O vendedor autônomo de veículos Alex Silveira da Rosa, de 36 anos, está sendo julgado desde às 9h na 1ª Vara do Júri, no Fórum Central de Porto Alegre, acusado de provocar a morte de três pessoas no trânsito, em 12 de março de 2005. O Audi A34 que ele conduzia atingiu o Kadett onde estavam as vítimas, no cruzamento das avenidas Assis Brasil e Sertório, na zona Norte de Porto Alegre. A colisão vitimou Gabriela da Costa Marinho, 17, Eder Roberto Silva da Costa, 21, e Edina Flaviana Mancia da Silva, 23. No plenário, o promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim sustentou a denúncia de dolo eventual, assinalando que ele assumiu o risco de matar.
A perícia apontou que Alex trafegava a uma velocidade mínima de 162 quilômetros por hora no momento do choque. "Trafegava com excesso de velocidade, cruzou o sinal fechado e existem fortes evidências de que estava embriagado e participando de um racha", frisou. O promotor disse que o acusado fugiu do local, sem prestar socorro às vítimas, e mesmo com traumatismo craniano, somente buscou atendimento em hospital particular dez horas mais tarde. "Estamos diante de um homem com histórico de embriaguez e de descumprimento das regras de trânsito", ressaltou. O promotor avaliou que Alex aceitou o risco de produzir o resultado delituoso.
Ele lembrou que o Kadett foi jogado contra um poste e que o Audi rodopiou na pista atingindo ainda um ciclista. O defensor do réu, criminalista Nereu Lima, sustentou que o acidente não foi doloso, mas culposo. Já o assistente de acusação, advogado Vanderlei Ramos, argumentou que o réu assumiu o risco de matar quando abusou da velocidade e desrespeitou o indicativo de "pare" do semáforo.
Momentos antes do início da sessão presidida pela juíza Rosane de Oliveira Michels, do 2º Juizado da 1ª Vara do Júri, o pai da vítima Gabriela, o vigilante Luiz Carlos Fonseca Marinho, 50, surpreendeu a todos. Ao perceber que o Alex se aproximava do acesso à 1ª Vara do Júri, Marinho caminhou na sua direção e o abraçou. "Eu decidi perdoá-lo. Nada vai trazer minha filha de volta e estou orando por ele", assinalou.
A voluntária da Fundação Thiago Gonzaga, Susana Pereira Vianna, 62, que também perdeu um filho no trânsito, ressaltou que esperava por justiça. "Ele não pode ficar impune. Somente assim esse caso servirá de exemplo para que outras tragédias de trânsito não aconteçam", sentenciou. A previsão é de que a sentença seja conhecida às 20h de hoje.
Vendedor é julgado pela morte de três pessoas
Promotor sustentou a denúncia de dolo eventual, assinalando que ele assumiu o risco de matar