Há todos os tipos de problemas, do asfalto em péssimas condições, esburacado, até a ausência de acostamentos e sinalização. Verdadeiras armadilhas no caminho de famílias e de jovens que vão em busca de lazer e diversão. A equipe do Correio do Povo circulou pelas principais rodovias e acessos que levam às praias gaúchas, como a RS 040, a Estrada do Mar e a RS 786, além da freeway e da BR 101 e mostra as consequências da falta de atenção dos gestores com essas importantes rotas.
Quem passa pela pedagiada RS 040 – o veículo de passeio paga R$ 6 entre Porto Alegre e Balneário Pinhal –encontra problemas nos 83 quilômetros. Falta acostamento asfaltado e, nos locais que têm a camada asfáltica, o que se vê é uma sucessão de buracos. Em outros trechos, no entanto, o capim tomou conta. Se o motorista precisar parar, avançará sobre o mato.
A Associação dos Municípios do Litoral Norte (Amlinorte) já solicitou à concessionária e ao governo do Estado a duplicação da rodovia. Segundo a presidente da entidade, Glacy Delis da Conceição, a duplicação é uma reivindicação antiga e ajudará no desenvolvimento da região e no fluxo, especialmente na alta temporada, além de garantir mais segurança aos motoristas. A Univias, concessionária que administra a rodovia, informa que está realizando obras de manutenção da pista de rolagem.
O gestor de Engenharia da Univias, Denis Yurgel, afirma que o contrato de concessão, assinado em 1998, no governo de Antônio Britto, não prevê a duplicação da pista nem a manutenção do acostamento. "Cumprimos rigorosamente o que diz o contrato, ou seja, fizemos a manutenção e conservação da pista. Qualquer alteração tem que ser acordada com o poder concedente, no caso o governo", explica.
Até o início do verão, a projeção é estar com as obras de manutenção concluídas, o que compreenderá 46 dos 83 quilômetros. Pelo menos três equipes de cerca de 20 pessoas trabalham na rodovia. O atual contrato de pedágio se encerra em 2013.
''Malabarismos'' na RS 786
A reação de quem está ao volante na RS 786, que liga as praias de Quintão a Tramandaí, é de indignação. Reduzir a velocidade e tentar manter as rodas do veículo na melhor parte do asfalto faz parte do "malabarismo" dos motoristas que trafegam pela rodovia. Se a pista é considerada perigosa nesta época de baixo fluxo, no verão, a atenção tem que ser redobrada. São tantas as irregularidades na via que por vezes é difícil desviar.
O asfalto de péssima qualidade, os buracos e a ausência de acostamentos são alguns dos problemas. Entre o trecho que vai de Balneário Pinhal até Magistério, por exemplo, a pista se confunde com a estrada de chão batido. A sucessão de problemas se estende por quilômetros. No trajeto de Cidreira a Salinas, além de a areia invadir a rodovia, chama atenção o acentuado desnível do acostamento.
Motoristas que usam a RS 786 reclamam da falta de manutenção e do desrespeito. Prejuízo quem sentiu no bolso foi o aposentado João Freitas, morador há 20 anos de Cidreira. O eixo de transmissão do carro quebrou numa pancada brusca e a viagem teve que ser interrompida. Ele conta que já trocou quatro amortecedores neste ano e os gastos só aumentam. "Desde que moro aqui nenhum governo fez nada para melhorar essa rodovia", lamenta. Nilza Moreau, moradora há dois anos do balneário, também tem a mesma percepção. "Quando se aproxima a temporada de verão fazem alguma coisinha, e no resto do ano somem", protesta.
Para os moradores, a situação deixa transparecer o descaso dos gestores públicos. O prefeito de Cidreira, Beto Pires, diz que os prefeitos do Litoral Norte estão mobilizados e buscam com o governo estadual uma solução para a rodovia. Segundo ele, enquanto essa situação não se resolver, os municípios perdem economicamente porque os deslocamentos ficam prejudicados.
A presidente da Amlinorte, Glacy Delis Osório, reforça o descontentamento dos prefeitos da região com as condições da RS 786 e também com a RS 040. Glacy diz que a região está na expectativa de melhorias nas estradas e comenta que as negociações com o governo nesse sentido vêm sendo feitas. "O problema é que chega o verão e os destinos se voltam às praias e as estradas não comportam o aumento de fluxo. Queremos uma solução para isso", diz.
Preocupado com a precariedade da rodovia, o Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) também enviou ao governo do Estado ofício informando sobre as condições da estrada.
Empresa fará reparos em estradas
O governo do Estado confirma a contratação de uma empresa que fará obras de reparos em algumas rodovias que levam ao Litoral Norte. O contrato foi assinado no dia 8 e a previsão é de que até 22 de dezembro os trabalhos estejam concluídos, mas vai depender das oscilações do tempo para o cumprimento dos prazos, informou o diretor de Infraestrutura do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), engenheiro Milton Cypel. Para essa ação, foi feita dotação orçamentária de R$ 2 milhões.
Segundo o diretor de Infraestrutura do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), engenheiro Milton Cypel, no orçamento deste ano estão previstos R$ 350 milhões para investimentos em rodovias. Para 2012 esse valor deverá mais dobrar, ficando entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões, incluindo verbas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, internacionais e próprios do Estado.