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Vigilância em Saúde de Porto Alegre emite alerta para febre Chikungunya

Epidemiologista afirma que doença similar à dengue pode se espalhar rápido no Brasil

A Vigilância em Saúde de Porto Alegre emitiu alerta em função de casos confirmados, no Norte e no Nordeste do País, da febre Chikungunya. A enfermeira epidemiologista Adelaide Kreutz, da Equipe de Vigilância Doenças Transmissíveis da Coordenação Geral de Vigilância em Saúde, lembrou que a população brasileira não desenvolveu anticorpos para o vírus, fazendo com que a proliferação possa ser intensa no primeiro momento.

Assim como a dengue, a Chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti. Um segundo transmissor, porém, é o Aedes Albupictus, presente em todo o Brasil, incluindo o Sul. Ao contrário da dengue, porém, a Chikungunya registra letalidade baixa. “O tratamento se dá basicamente com o uso de paracetamol, muita hidratação e repouso”, explica o médico Benjamin Roitman, coordenador da Equipe de Doenças Transmissíveis da CGVS.

Sequelas podem incluir artrite crônica

Ainda que menos grave que a dengue, a doença pode trazer sequelas, até mesmo permanentes. Os sintomas, segundo Roitman, se parecem com os da dengue: febre alta, dores musculares e articulares, fortes dores de cabeça e manchas na pele. Porém a manifestação mais aguda é a artrite, que pode permanecer por um período longo, mesmo que a pessoa tenha sido tratada contra o virus.

É possível que o sofrimento com as dores nas articulações dure até um ano. Pessoas com predisposição para problemas nas articulações podem desenvolver artrite crônica, tendo que enfrentar o problema pelo resto da vida.

A proliferação rápida do vírus torna fundamentais as ações de prevenção, incluindo a investigação do histórico de viagens de quem procura as unidades de saúde apresentando sintomas. “Isso é muito importante para que a Vigilância em Saúde possa ser imediatamente acionada e adotar ações contra os mosquitos nos lugares onde a pessoa vive e circula,” acrescentou Adelaide.

As equipes pedem que a população fique atenta aos sintomas e evite situações de acúmulo de água parada, ambiente onde os mosquitos se reproduzem. “A transmissão da doença só ocorre pela picada do mosquito, e não pelo contato entre as pessoas”, esclarece Roitman.

Confirmados no Amapá e na Bahia primeiros casos de transmissão interna

Na segunda-feira passada, o Ministério da Saúde confirmou que um homem de 53 anos e a filha, de 31, que vivem em Oiapoque, no Amapá, perceberam os sintomas da doença em fim de agosto. A dupla passa bem. Hoje, o governo da Bahia confirmou mais cinco casos contraídos dentro do Brasil, todos em Feira de Santana, a 100 km de Salvador.

Antes disso, 37 pessoas tiveram confirmação da febre, desde janeiro, no Brasil, mas todas haviam contraído a doença em outros países.

Desde dezembro de 2013 surgiram mais de 650 mil casos suspeitos de Chikungunya nas três Américas, dos quais pouco mais de 9 mil foram confirmados. Antes disso, a doença era comum apenas na África e na Ásia.

O governo também adiantou que o próximo Levantamento Rápido de Infestação do Aedes Aegypti (Liraa), feito anualmente para identificar as áreas de risco para a dengue, vai buscar também áreas com Aedes Albopictus, maior transmissor da Chikungunya.

Barbosa disse que a nova doença também vai ser citada na próxima campanha contra a dengue, já que o modo de prevenir as duas é o mesmo.

Estância Velha registrou caso suspeito

No início de setembro, o município de Estância Velha, no Vale do Sinos, registrou um caso suspeito de Chikungunya. A paciente pode ter contraído o vírus em viagem à América Central e Caribe, uma das áreas de contágio da doença. Esse pode se tornar o primeiro registrado da doença no Rio Grande do Sul.

Os exames foram levados para o Instituto Evandro Chagas, no Pará. Os resultados devem chegar entre o início e a metade de outubro.


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