O vigilante Rodrigo Luciano Luz, de 32 anos, que mantinha sua ex-mulher, a operária Josiane Pontes, de 29 anos, em cárcere privado desde às 23h da última sexta-feira, em Canoas, se entregou, às 20h24min desta segunda-feira. Primeiro, Rodrigo liberou a ex-mulher. Em seguida, policiais do Gate entraram na residência e fizeram a prisão. Ninguém se feriu na ação.
O sequestrador será levado para uma delegacia de polícia em Canoas. A vítima será atendida pelos médicos e depois prestará depoimento na delegacia. Quando o cerco foi desfeito, populares e vizinhos aplaudiram a ação da polícia.
"Foi um caso muito difícil. Por três vezes, ele esteve perto de se entregar, mas desistiu. Tínhamos combinado para ele entregar a arma às 19h, como aconteceu um pouco depois", explicou o subcomandante da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato dos Santos.
Por volta das 14h30, um dos negociadores conversava com Luz por telefone, já usando colete à prova de balas. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foi colocada a postos neste mesmo momento, em preparação para a rendição. O processo se estendeu durante toda a tarde. De acordo com o subcomandante da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato, o sequestrador havia combinado entregar a arma e receberia um colete à prova de balas para garantir a sua segurança.
Luz não demonstrava cansaço ou sono até o final da tarde de hoje. As negociações com a BM e o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) seguiram pacificamente, por telefone, durante todo o tempo.
O drama começou quando Luz entrou na residência em que a vítima estava com os doisfilhos do casal, no bairro Guajuviras. Armado com um revólver calibre 38, ele fez a família refém e desferiu um tiro de raspão contra o cunhado. O vigilante liberou os dois filhos do casal, uma menina de 8 anos e um menino de 11, no começo da manhã de sábado.
Ao longo do fim de semana, amigos e familiares foram envolvidos nas negociações, além de uma psiquiatra, que garantiu a ele tratamento quando saísse da casa. O filho do casal também retomou o contato com o pai, sem conseguir dissuadi-lo do sequestro. Um dos compadres de Luz recebeu ligações frequentes do vigilante. Para ele, revelava suas angústias e pedia conselhos. "Eu estou tentando apaziguar a situação. Acho que vai dar certo", disse o amigo de dez anos, no domingo.
Vigilante se entrega e libera refém em Canoas
Após quase 70 horas, chega ao fim cárcere privado mais longo da história do RS