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Vistoria constata problemas no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul

Unidade de saúde de Porto Alegre apresenta falta de pessoal e de infraestrutura

Deficiências no posto prejudicam atendimento à população
Deficiências no posto prejudicam atendimento à população Foto : Bruno Alencastro
Falta de recursos humanos e de infraestrutura adequada foram alguns dos problemas constados em visita realizada nesta terça-feira por integrantes do Ministério Público e do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) ao Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (Pacs), em Porto Alegre. “É uma avaliação precoce. Vamos analisar todas as denúncias por escrito”, disse a promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Marinês Assmann. Segundo ela, já há inquéritos em andamento que tratam de problemas na estrutura física da unidade. “A partir dos documentos que devem ser entregues pelos funcionários, vamos oficiar o município”, explicou.

O conselheiro consultivo do Simers, Lúcio Barcelos, afirmou que irá reunir todas as denúncias levadas pelos funcionários do Pronto Atendimento ao sindicato e entregá-las formalmente à promotora até a próxima semana. Um dos maiores problemas denunciados é o funcionamento do laboratório de exames clínicos. Segundo Barcelos, o local tem capacidade para fazer 30 mil exames, mas desde novembro só faz procedimentos de alta complexidade. As demais análises são encaminhadas ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) e a uma empresa terceirizada. “A capacidade do laboratório teria como ser expandida para 60 mil exames, mas retrocedeu, porque a unidade está praticamente ociosa”, explicou.

Um dos funcionários, Jair Rodrigues, disse que uma empresa faz o transporte do material para o HPS das 5h até as 22h. No restante do tempo, as duas ambulâncias do Pronto Atendimento são utilizadas para fazer a entrega. “Isso é um desvio de finalidade”, avaliou Barcelos. O secretário adjunto da Secretaria Municipal da Saúde, Jorge Osório, no entanto, explicou que foi diagnosticada uma baixa produtividade do laboratório e, por isso, optou-se por uma otimização do serviço. “O laboratório passou a ser usado para exames especializados e os outros exames, em sua maioria automatizados, passaram a ser feitos pelo HPS e pelo Hospital Presidente Vargas (HPV). Com isso, diminuímos o tempo de resposta”, afirmou ele, que acompanhou parte da visita do MP e do Simers à instituição de saúde.

Segundo o conselheiro do Simers, outra questão que deve ser explicada pela prefeitura é o da retirada de um equipamento endoscópio do Pacs para o Hospital Presidente Vargas. A máquina para fazer exames foi doada ao município pelo governo do Japão há cerca de dois anos. Osório disse que a Vigilância Sanitária apontou que o ambiente mais adequado para esse tipo de exame digestivo é o hospitalar. “Além disso, o HPV tem agora um ambulatório de hepatites que demanda esse tipo de exame”, continuou.

Barcelos contou que, pela falta de pessoal, o atendimento na emergência é demorado e cerca de 300 pacientes por dia, o que representa 30% do total, desistem de esperar. A população confirma o tempo perdido na emergência. A dona de casa Alessandra Lopes de Souza, de 24 anos, estava com diarreia e vômitos. Ela chegou ao local às 10h30min de hoje e só conseguiu senha para as 23h. O marido dela, com os mesmos sintomas, recebeu uma ficha para a meia-noite. “Estou com medo de ficar desidratada. Se não melhorar, pretendo procurar outro posto de saúde”, lamentou. Quanto a isso, Osório mencionou que, de acordo com a classificação, os pacientes de risco são atendidos com mais rapidez. “Já mapeamos a necessidade de médicos e estamos contratando conforme os profissionais são aprovados para as vagas”, acrescentou.

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