O conselheiro consultivo do Simers, Lúcio Barcelos, afirmou que irá reunir todas as denúncias levadas pelos funcionários do Pronto Atendimento ao sindicato e entregá-las formalmente à promotora até a próxima semana. Um dos maiores problemas denunciados é o funcionamento do laboratório de exames clínicos. Segundo Barcelos, o local tem capacidade para fazer 30 mil exames, mas desde novembro só faz procedimentos de alta complexidade. As demais análises são encaminhadas ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) e a uma empresa terceirizada. “A capacidade do laboratório teria como ser expandida para 60 mil exames, mas retrocedeu, porque a unidade está praticamente ociosa”, explicou.
Um dos funcionários, Jair Rodrigues, disse que uma empresa faz o transporte do material para o HPS das 5h até as 22h. No restante do tempo, as duas ambulâncias do Pronto Atendimento são utilizadas para fazer a entrega. “Isso é um desvio de finalidade”, avaliou Barcelos. O secretário adjunto da Secretaria Municipal da Saúde, Jorge Osório, no entanto, explicou que foi diagnosticada uma baixa produtividade do laboratório e, por isso, optou-se por uma otimização do serviço. “O laboratório passou a ser usado para exames especializados e os outros exames, em sua maioria automatizados, passaram a ser feitos pelo HPS e pelo Hospital Presidente Vargas (HPV). Com isso, diminuímos o tempo de resposta”, afirmou ele, que acompanhou parte da visita do MP e do Simers à instituição de saúde.
Segundo o conselheiro do Simers, outra questão que deve ser explicada pela prefeitura é o da retirada de um equipamento endoscópio do Pacs para o Hospital Presidente Vargas. A máquina para fazer exames foi doada ao município pelo governo do Japão há cerca de dois anos. Osório disse que a Vigilância Sanitária apontou que o ambiente mais adequado para esse tipo de exame digestivo é o hospitalar. “Além disso, o HPV tem agora um ambulatório de hepatites que demanda esse tipo de exame”, continuou.
Barcelos contou que, pela falta de pessoal, o atendimento na emergência é demorado e cerca de 300 pacientes por dia, o que representa 30% do total, desistem de esperar. A população confirma o tempo perdido na emergência. A dona de casa Alessandra Lopes de Souza, de 24 anos, estava com diarreia e vômitos. Ela chegou ao local às 10h30min de hoje e só conseguiu senha para as 23h. O marido dela, com os mesmos sintomas, recebeu uma ficha para a meia-noite. “Estou com medo de ficar desidratada. Se não melhorar, pretendo procurar outro posto de saúde”, lamentou. Quanto a isso, Osório mencionou que, de acordo com a classificação, os pacientes de risco são atendidos com mais rapidez. “Já mapeamos a necessidade de médicos e estamos contratando conforme os profissionais são aprovados para as vagas”, acrescentou.