Na emergência do Centenário, apenas um plantonista está disponível neste domingo, contra um mínimo necessário de três. O mesmo problema ocorreu no sábado, quando cerca de 300 atendimentos foram feitos pelo mesmo profissional, que ainda cuidava de 30 pacientes em observação, sendo dez deles em estado grave.
O novo flagrante de carga de trabalho excessiva no Centenário levou o Simers a anunciar para esta segunda-feira, o protocolo de uma denúncia no Ministério Público Estadual contra a Prefeitura de São Leopoldo. Neste mês, duas paralisações ocorreram na instituição de saúde, devido à baixa remuneração oferecida aos médicos, fato que tem contribuído para a escassez de profissionais recorrente no local.
Já na emergência do Dom João Becker, o atendimento aos pacientes demora até seis horas, já que há apenas um plantonista. O médico, conforme o Simers, vai completar, às 19h deste domingo, 40 horas de trabalho ininterrupto. A entidade vai solicitar à Prefeitura de Gravataí acesso às escalas de trabalho, para tentar intervir.
"Trata-se de uma irresponsabilidade com a vida das pessoas, além de submeter profissionais a cargas de trabalho desumanas, com prejuízos certos aos doentes", afirmou a secretária-geral do Simers, Ana Maria Martins, que participou neste domingo da vistoria no Dom João Becker.
Contraponto
Para o secretário de Administração de São Leopoldo, Edvaldo Cavedon, a atuação do próprio Simers provocou a falta de profissionais. Segundo ele, a entidade, ao decretar a paralisação no Hospital Centenário até a última quarta, impediu a Prefeitura de contratar médicos emergencialmente, antes do final de semana. “Os profissionais que procuramos tiveram receio de trabalhar conosco já que, devido ao estado de greve, existe um dispositivo legal que poderia causar punições aos médicos”, argumentou. A declaração foi rebatida pelo diretor do Simers, Fábio Gatti: “Foi incompetência da Prefeitura, pois eles tiveram entre quarta e sexta, para achar alguém, e não havia qualquer problema legal”, afirmou.
Em Gravataí, o secretário de Saúde, Wagner Fraga, garantiu que a presença de apenas um médico na emergência é um fato raro, e prometeu procurar a direção do Hospital Dom João Becker, que é privado mas atende pelo SUS, nesta segunda. “Vamos saber amanhã o que ocorreu, e, se necessário vamos intervir para solicitar a contratação de médicos, já que por não ser um hospital com gestão do município, não há necessidade de concursos”, assegurou.