Funcionários da Volkswagen de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, decidiram nesta sexta-feira encerrar a greve iniciada no dia 6 de janeiro, depois que a empresa suspendeu as 800 demissões anunciadas no início do mês. A produção da fábrica será retomada na próxima segunda.
Um programa de demissão voluntária (PDV) será aberto a partir da próxima semana, pois a empresa insiste na necessidade de adequação de seu quadro de pessoal para garantir competitividade da fábrica, a mais antiga do grupo no País, no atual cenário econômico e de concorrência de outras montadoras.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a empresa afirma ter um excedente de 2,1 mil trabalhadores na fábrica, de 13 mil funcionários. Quem aderir ao PDV receberá de 5 a 25 salários extras, dependendo do tempo de casa, da área de atuação e da proximidade da aposentadoria.
A empresa também alterou a proposta salarial que havia sido rejeitada em dezembro. Os ganhos serão reajustados pela inflação integral de 2016 a 2019 (data de vigência do acordo), e nos últimos três anos também haverá aumento real de 1%.
Neste ano, o reajuste da inflação pelo INPC e o aumento real de 2% serão pagos como abono e não adicionados aos salários. Em 2016, só o aumento real não será incorporado. A proposta anterior previa congelamento do salário real nos dois anos e o INPC não era integral.
"É um acordo amplo e muito importante para todos, pois traz melhores condições de competitividade e viabilidade da fábrica Anchieta", afirma Douglas Pereira, gerente de relações trabalhistas da Volkswagen do Brasil. Segundo ele, o acordo permitirá introduzir uma nova plataforma de produtos na fábrica. A Volkswagen também tem montadoras de automóveis em Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR), além de uma fábrica de motores em São Carlos (SP).
De acordo com Wagner Santana, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, pelo menos três novos carros serão produzidos nessa nova plataforma, dois deles de modelos globais. Ele ressalta ainda que o acerto garante estabilidade de emprego por cinco anos aos trabalhadores que permanecerem. As exceções serão PDVs, aposentadorias e dispensas por baixa performance.
O presidente do sindicato, Rafael Marques, afirmou que "um pouco de lucidez pairou sobre a direção da empresa e buscamos uma alternativa negociada, que levou à aprovação de um acordo melhor que o anterior e possibilitará um ciclo de investimentos necessário para o futuro da planta Anchieta". O sindicalista afirma que a categoria conseguiu construir uma resistência importante em relação às demissões, o que fortaleceu a agenda do movimento sindical, inclusive junto ao governo.
Ele ainda informa que, na segunda-feira, dirigentes das seis maiores centrais sindicais do País vão se reunir, em São Paulo, com os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), Manoel Dias (Trabalho), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) e Carlos Gabas (Previdência) para discutir sobre a questão do emprego e as recentes reformas nos direitos previdenciários.
Os nove dias úteis de paralisação na Volkswagen serão parte compensados e descontados de janeiro a abril. A greve foi decretada no dia 6, quando os trabalhadores voltaram das férias coletivas e 800 deles receberam as cartas de demissão.
Volkswagen volta atrás em demissões e paralisação chega ao fim
Greve foi decretada no dia 6, quando 800 trabalhadores receberam cartas de demissão