O volume de água das cheias foi um dos maiores na área das usinas hidrelétricas do rio Jacuí, exigindo a paralisação na geração de energia em Passo Real. As geradoras ficam próximas ao local onde uma ponte caiu sobre a RSC-287, em Agudo. De acordo com medições da CEEE, o nível abaixo da represa atingiu 8.240 metros cúbicos por segundo, mesmo com a barragem tendo suas comportas fechadas até às 10h25min de terça-feira, mais de 24 horas depois da queda da ponte.
O valor supera em mais de 50% a marcação histórica registrada na cheia de 1997, quando foi verificado um total de 5,3 mil metros cúbicos por segundo. O chefe da Divisão de Operações da CEEE, Luis Carlos Tadiello, afirmou que esse fato demonstra que não houve reflexo direto no comportamento da vazão de água no rio, que teria sido uma das causas da tragédia.
"A elevação do rio naquela região ocorreu pelo acúmulo de água nos afluentes laterais, pois se tivéssemos liberado as comportas para não expor a barragem a uma situação rompimento, esse patamar teria alcançado 12 mil metros cúbicos por segundo, o que poderia causar uma catástrofe", disse Tadiello. Para ele, a decisão de represar as águas na usina, que fica no município de Salto do Jacuí, foi possível porque o reservatório é muito grande, e tem grande capacidade.
"Depois de atingir o pico, na terça-feira, tivemos de abrir as comportas, mas o rio já havia baixado um pouco", sustentou. Segundo Tadiello, na usina de Itaúba o reservatório é 20 vezes menor do que a de Passo Real, e não implicaria em um aumento significativo do volume. Já na usina de Dona Francisca, em Agudo, o vertedouro é livre, e sempre que o ponto máximo da barragem é alcançado, há a liberação do fluxo.
Morador da região, há mais de 30 anos, o arquiteto André Müller lembrou que tem havido uma devastação muito grande nas margens do rio Jacuí. "Me criei aqui, e o que vimos é que as árvores maiores, que resguardavam a encosta são em número cada vez menor, o que torna o local mais suscetível à queda das cabeceiras", disse.
Volume de água foi um dos maiores na área das usinas hidrelétricas do Jacuí
Cheias levaram à paralisação na geração de energia em Passo Real