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Voo com militares vindos do Haiti atrasa

Familiares de vítimas contam relatos do terremoto no Haiti

Juliana Moura trouxe a filha para esperar o marido desembarcar
Juliana Moura trouxe a filha para esperar o marido desembarcar Foto : Mateus Bruxel
O Boeing 707 da Força Aérea Brasileira (FAB) vindo de Porto Príncipe com 41 militares que servem em unidades gaúchas e catarinenses saiu com três horas de atraso do Haiti e precisou fazer um pouso para reabastecimento em Guarulhos. A previsão inicial era de que a aeronave chegasse às 9h na Base Aérea de Canoas, mas a expectativa agora é que o desembarque aconteça às 11h30min.

Entre os militares, estão dois da 1ª Divisão de Levantamento de Porto Alegre, 19 do 5º Batalhão de Engenharia de Combate de Porto União (SC) e 20 do 10º Batalhão de Engenharia de Construção de Lages (SC). Após o desembarque, os militares seguirão para o 3º Batalhão de Polícia do Exército, onde acontecerá uma solenidade militar de recepção.

Expectativa

Irmã do sargento Valdecir Fernandes, que serve em Lages (SC), a dona-de-casa Dulce Mara Costa Rita, de 49 anos, aguarda com expectativa a chegada da aeronave. Valdecir foi em julho para o Haiti e em setembro esteve em Lages por uma semana para ver filho que nasceu 2 meses antes do embarque.

Dulce conta que a família soube do terremoto às 10h de terça-feira da semana passada e só recebeu notícias de Valdecir às 2h do dia seguinte. O sargento contou, por e-mail, que não se machucou porque estava dentro de um container, que ficou totalmente destruído com o terremoto. Nenhum dos militares que estava na base, no entanto, se feriu.

A dona-de-casa contou que espera encontrar o irmão alegre e sorridente quando voltar, mas que ele possivelmente precisará de acompanhamento psicológico porque viu coisas muito tristes. "Ele viu muita criança passando fome", disse.

Sofrimento

A mulher do capitão-médico Fabrício Almeida de Moura, de 35 anos, que também servia em Lages (SC), Juliana Moura, de 27 anos, contou que ficou sabendo do terremoto às 22h de segunda-feira e o marido ligou às 13h30min do dia seguinte para contar que estava bem.

Moura disse que estava no pátio de sua base militar quando sentiu vários tremores fortes seguido de muita fumaça. Em seguida, vários adultos e crianças feridos entraram na base pedindo ajuda. Moura precisou fazer suturas sem anestesia. O capitão contou que faltava roupa e alimentos para as vítimas.