O prefeito de Xangri-Lá, Celso Barbosa, decretou situação de emergência após verificar a extensão dos danos e prejuízos causados pelo temporal e pelas fortes rajadas de vento que atingiram o município na quinta-feira. “A violenta tempestade causou estragos e apreensão na comunidade”, relatou.
Nesta sexta-feira, ao recordar das cenas que presenciara no dia anterior lembrou que, por “milagre”, as crianças que estavam na Escolinha Lobinho Guará e os 30 alunos da Turma 51 da Escola Municipal Petronilha Maria Alves dos Santos não foram atingidas pelos telhados que caíram dentro dos estabelecimentos de ensino. “Não foram poucos os estabelecimentos comerciais e as residências atingidos. Mesmo na chuva, as equipes trabalharam na remoção das árvores para liberar as ruas interrompidas e ainda hoje continuam percorrendo todos os bairros na tentativa de identificar mais problemas”, sintetizou.
Em levantamento preliminar, o prefeito avalia que o distrito do Guará foi o mais castigado pelos ventos e pela chuva, embora se registrem sérios problemas em praticamente todo o município, incluindo Rainha do Mar – bairro mais distante do Centro. “Os danos e prejuízos são de grande monta. Felizmente, não tivemos relatos de que algum morador da cidade ou veranista tenha ficado ferido. Para os que viram os danos, principalmente nas escolas, foi um verdadeiro milagre ninguém ter se machucado”, enfatizou.
Para o prefeito, somente nos prédios públicos o prejuízo supera R$ 1 milhão. A diretora da Petronilha Maria Alves dos Santos, professora Vera Eliane Soares, acredita que somente poderá reabrir a escola na próxima quarta-feira.
Nesta sexta-feira, ao retornar à sala de aula número 3, ela parecia aliviada, mesmo diante da destruição. “Minutos antes os 30 alunos deixaram esta sala e seguiram para o ginásio de esportes. Se estivessem aqui no momento em que telhados desabou certamente a comunidade escolar estaria hoje enlutada”, relatou.
Na RS 407, o gerente de um posto de combustíveis, Juliano Lentez, assegurou ter visto um cone girando na direção do mar. “Passou rápido arrastando o que encontrava pela frente”, disse. Já em Capão da Canoa, também em situação de emergência, o prefeito Amauri Magnus Germano destacava que os maiores prejuízos foram registrados nos balneários Capão Novo e Arco Íris, na área central e também nos bairro Parque Antártica, onde dezenas de moradias foram destelhadas ou parcialmente destruídas. Houve ainda danos no Parque de Máquinas da Prefeitura e em escolas da rede pública municipal. O “corredor de vento” danificou pelo menos 500 residências.
O prefeito necessitou recorrer à Defesa Civil do Estado em razão de os estoques de telhas e madeiras terem terminado nas lojas especializadas na venda de materiais de construção localizadas em Capão da Canoa e em Xangri-Lá.
No bairro Parque Antártica, a zeladora Patrícia Rosa da Silva, 29, teve uma desagradável surpresa ao retornar para casa após levar os filhos Loiva Manoela, 10, e Murilo Henrique, 3, na escola. “Quando abri a porta, percebi que os quartos das crianças e as salas de estar e de jantar estavam sem telhado. Além disso, todos os móveis estavam molhados ou destruídos”, recordou. O marido da zeladora, pedreiro Alexsandro Prates da Silva, 32, estima sejam necessários R$ 3 mil apenas para recompor o telhado.
Nos arredores, a comerciante Marcia Camargo, 30, comemorava o fato de ter conseguido evitar que os filhos Yago, 5, Mel-Liane,3, e Francisco, 1, fossem atingidos pelas telhas que despencaram, pouco depois das 13h de quinta-feira sobre os móveis da cozinha e sala onde todos estavam brincando. “Fiquei desesperada e em pânico. Agora é trabalhar para recuperar o que foi perdido. Mesmo com parte da minha casa destruída, eu estou feliz, pois não perdi nenhum dos meus três filhos”, comentou. À tarde, quando voltou a chover, o que restou dos móveis da comerciante estava na calçada. Igualmente atingidos pelas rajadas de vento, os vizinhos foram solidários e trataram de colocar os pertences dos Camargo em local seguro.
Xangri-Lá decreta situação de emergência
Prefeito Celso Barbosa diz que crianças de escola escaparam "por milagre". Veja fotos da destruição