A maioria das minas de platina da região deu o dia livre aos trabalhadores para que pudessem participar da cerimônia de Marikana, a principal homenagem organizada no país. A celebração ocorreu sob uma grande tenda branca erguida perto da colina onde ocorreu o massacre, que inicialmente vitimou 34 pessoas.
Nos dias anteriores aos incidentes, outras dez pessoas, duas delas policiais, morreram nos confrontos entre sindicatos rivais que explodiram no dia 10 de agosto. Cerca de 3 mil mineiros de Marikana entraram em greve para exigir que os salários fossem triplicados (de 400 a 1.250 euros). A cidade abriga a mina explorada pelo grupo Lonmin 100 quilômetros de Pretória.
A cerimônia de Marikana atraiu milhares de pessoas. Os corpos dos grevistas mortos foram entregues para as famílias. A maioria delas reside em regiões distantes da mina. Durante a homenagem, a polícia se manteve à distância. "Não queremos ver a polícia hoje", disse à AFP Nkosinathi, um mineiro de Lonmin que se negou a fornecer o sobrenome por medo de represálias.
O pequeno sindicato radical AMCU, suspeito de provocar revoltas nas minas de platina da região desde o início do ano, também organizou uma celebração na manhã desta quinta-feira com o apoio dos "amigos de ANCYL", a Liga Juvenil do ANC.
Presidente ausente na cerimônia
O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que foi a Marikana nessa quarta-feira para se dirigir aos mineiros, não esteve presente na cerimônia desta quinta-feira. Ele nomeou nesta quinta-feira ao meio-dia local a comissão de investigação prometida para analisar os incidentes de 16 de agosto.
"Ela foi instaurada para investigar questões de interesse público, nacional e internacional provenientes dos incidentes em Marikana que deixaram 44 pessoas mortas, mais de 70 feridas e levaram à prisão de mais de 250 pessoas", disse Zuma em um comunicado televisionado. Nesta quinta-feira também estavam previstas outras cerimônias, especialmente em El Cabo e Johannesburgo.