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A longa história do Japão na caça às baleias

País começou caça de cetáceos no século XII

Japão retomará a caça comercial a belaias em julho
Japão retomará a caça comercial a belaias em julho Foto : Jiji Press / AFP / CP
O Japão anunciou, nesta quarta-feira, sua retirada da Comissão Internacional Baleeira (CIB) para retomar a caça comercial de cetáceos. O país oriental retoma, com a decisão, algo que costumava fazer há quase mil anos.

Foi no século XII, segundo a Associação Japonesa da Caça de Baleias, que os pescadores do arquipélago começaram a capturar esses animais marinhos com arpões. No século XVII, a prática foi organizada na cidade de Taiji, no Oeste, atualmente conhecida – e muito criticada no exterior – como um porto de caça de golfinhos.

No pós-guerra, uma fonte de proteínas

Em 1906, foi construída uma base para a caça de baleias em Ayukawa, na região de Miyagi, Nordeste do país, marcando o início da caça de baleias moderna no arquipélago. No fim da Segunda Guerra Mundial, houve escassez de alimentos no Japão, e a carne de baleia se tornou uma importante fonte de proteínas.

Em pleno auge da caça, nos anos 1950, cerca de 2 mil baleias chegavam a porto por ano. Em 1951, o Japão aderiu à CIB, criada em 1946 para conservar e administrar a população mundial de baleias e cetáceos. O Japão se tornou um dos maiores países baleeiros do mundo.

Anos 1980: moratória e “pesquisa científica”

Em 1986 entrou em vigor uma moratória sobre a caça comercial decidida na CIB, que o Japão assinou. Em 1988, o país parou de caçar pequenos rorquais e cachalotes nas águas costeiras japonesas.

Mas ao mesmo tempo começou a “pesquisa científica” na Antártica em 1987, que continua ainda hoje, matando os cetáceos e servindo-se de uma cláusula especial da moratória que autoriza a caça com fins científicos.

Condenação da ONU e da Sea Shepherd


A partir de 2005, durante suas campanhas de caça na Antártica, os baleeiros japoneses foram assediados pelos navios da organização Sea Shepherd que, no entanto, acabou optando por parar de seguir a frota japonesa após 2017.

Em 2014, a Corte Internacional de Justiça (CIJ), tribunal das Nações Unidas, ordenou ao Japão que pusesse fim a sua caça regular nas águas da Antártica, rejeitando o argumento da pesquisa científica.

O Japão cancelou sua campanha do inverno de 2014-2015 na Antártica, mas a retomou na temporada seguinte, no âmbito de um novo programa que, segundo o país, responde aos critérios científicos da CIB. A União Europeia e outros 12 países condenaram esta atitude do Japão.

2018, ameaça e anúncio da retirada da CIB

Em setembro de 2018, a CIB rejeitou a proposta do Japão de revisar a gestão dos diferentes tipos de pesca dentro da comissão, com o objetivo de retomar a caça de baleias com fins comerciais. A proposta do Japão foi rejeitada por 41 votos contra 27. O governo nipônico ameaçou abandonar a instância internacional.

Nesta quarta, 26 de dezembro, o Japão anunciou sua retirada da CIB e a retomada da caça comercial a partir de julho de 2019.