Abbas foi ovacionado pela multidão que o esperava e o recebeu como um verdadeiro herói. Ao entrar na Muqata, sede da presidência da Autoridade Palestina, caminhou sobre um tapete vermelho até o túmulo do ex-chefe histórico do movimento nacional palestino, Yasser Arafat. "Fomos à ONU levando suas esperanças, sonhos, ambições, sofrimentos, visões e desejo de um Estado palestino independente", enfatizou Abbas, dirigindo-se à multidão num discurso breve, mas emocionante, anunciando a "Primavera Palestina".
"O retorno do presidente Abbas para sua terra natal é o retorno de um herói, que revolverá as águas estagnadas do Oriente Médio", declarou com entusiasmo um editorial do jornal palestino Al Quds.
Abbas goza de uma popularidade crescente desde sexta-feira, quando entregou o pedido de adesão da Palestina à ONU, e pediu um Estado baseado nas fronteiras de 4 de junho de 1967, com Jerusalém Oriental como capital.
O Quarteto do Oriente Médio (EUA, UE, ONU e Rússia) fez na sexta-feira propostas para que os israelenses e palestinos retomem as negociações de paz com o objetivo de alcançar um acordo final até 2012. Por outro lado, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou que Abbas deveria concordar com negociações sem condições prévias a fim de alcançar um acordo de paz no Oriente Médio.
Em declarações a um canal TV depois do pedido do Quarteto para a Paz para a retomada de negociações diretas, Netanyahu afirmou que seu conselho a Abbas é que "se quiser alcançar a paz, coloque de lado todas as condições prévias".
Mais cedo, o ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, afirmou ser favorável à adoção do plano de paz do Quarteto para conseguir um acordo de paz entre israelenses e palestinos. "Acho que é preciso aceitar a proposta do Quarteto porque inclui um ponto muito positivo: a abertura de negociações sem condições prévias" afirmou Lieberman, entrevistado em Nova Iorque pela rádio estatal israelense.
Apesar de admitir ter reservas quanto a esse plano, o chanceler explicou que seu país deve favores aos Estados Unidos.
"Os americanos mobilizaram grandes esforços no Quarteto para alcançar esta proposta e nos apoiaram tanto na crise de nossa embaixada no Cairo como no discurso do presidente Barack Obama na ONU", afirmou ainda.