O governo de facto de Honduras aceitou um acordo mediado pelos Estados Unidos que abre o caminho para a volta ao poder do presidente Manuel Zelaya, deposto em um golpe militar quatro meses atrás. O acordo, fechado na noite de quinta-feira, 29, (madrugada de sexta-feira em Brasília), aconteceu depois de reuniões das partes com autoridades norte-americanas que viajaram esta semana para Tegucigalpa com o objetivo de pressionar pelo fim da crise, que representa uma dor de cabeça para a política externa do presidente Barack Obama.
Zelaya foi retirado do poder e mandado para o exílio no dia 28 de junho, mas conseguiu voltar escondido ao país no mês passado, e desde então estava abrigado na embaixada do Brasil, que está cercada por tropas que prometem prender o presidente caso ele deixe o prédio.
O acordo também exigiria que ambos os lados reconhecessem o resultado da eleição presidencial de 29 de novembro, e iria transferir o controle do Exército para o tribunal eleitoral. Se aprovado pelo Congresso, Zelaya poderia terminar seu mandato presidencial, que acaba em janeiro. Não ficou claro o que aconteceria com o restante do acordo se o Congresso votar contra a restituição de Zelaya.
A seguir os principais pontos do acordo entre o presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, e o chefe de Estado deposto Manuel Zelaya, qualificado pelo primeiro como "o início do fim da crise política" no país da América Central:
1) Apoiar a proposta que permite uma votação no Congresso Nacional com uma opinião prévia da Suprema Corte de Justiça para retroagir todo o Poder Executivo prévio a 28 de junho de 2009, ou seja, a restituição de Zelaya ao governo.
2) Criação de um governo de unidade e reconciliação nacional.
3) Rejeitar a anistia de crimes políticos e moratória das ações penais
4) Renunciar à convocação de uma Constituinte ou a uma reforma da Constituição nas cláusulas pétreas.
5) Reconhecer e apoiar as eleições gerais de 29 de novembro e a transferência de governo.
6) Transferir autoridade sobre o Supremo Tribunal Eleitoral, as Forças Armadas e a Polícia Nacional.
7) Criar uma comissão de verificação para fazer cumprir os dispositivos do acordo.
8) Criar uma comissão da verdade que investigue os fatos, antes durante e depois de 28 de junho de 2009.
9) Solicitar à comunidade internacional a normalização das relações com Honduras.
Acordo fechado em Honduras pode promover volta de Zelaya
Autoridades norte-americanas pressionam ambas as partes pelo fim da crise<br />