Daniel Siad, caça-talentos de modelos acusado de recrutar mulheres para o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua residência em Colombes, no noroeste de Paris. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (22) pela Promotoria de Nanterre, ratificando apuração do jornal Le Parisien. A Justiça francesa abriu uma investigação para determinar a causa da morte do homem de 69 anos, localizado na última segunda-feira.
Siad era alvo de inquérito após denúncias de estupro apresentadas por ex-modelos. Ele negava as acusações e afirmava que pretendia depor para apresentar sua versão. Contatada pela AFP, sua advogada, Menya Arab-Tigrine, não respondeu imediatamente.
Histórico das denúncias e vínculo com Epstein
A primeira acusação formal foi formalizada em 10 de fevereiro de 2026 pela ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson. A denunciante identificou Siad após reconhecê-lo nos arquivos desclassificados do caso Epstein, nos quais o nome do caça-talentos aparece em mais de mil documentos. Karlsson acusa Siad de tê-la estuprado aos 20 anos e de tê-la explorado sexualmente ao apresentá-la a Gérald Marie, ex-diretor da agência Elite — a quem ela também acusa de estupro. Ambos negavam as alegações.
Reação das vítimas e padrão de impunidade
Junto com Lisa Brinkworth — que acusa Gérald Marie de agressão sexual em 1998 —, Karlsson fundou o coletivo Victorious Angels - WE RISE, que denuncia violências sexuais no meio da moda e no círculo de Epstein.
Brinkworth lamentou a morte do suspeito antes do julgamento: "Estou em choque e muito triste por todas as vítimas. Dá a impressão de que se está privando as vítimas de justiça", declarou, comparando o caso aos suicídios do agente Jean-Luc Brunel na prisão em 2022 e do próprio Jeffrey Epstein em sua cela em 2019. "É devastador que as sobreviventes do caso Brunel tenham sido primeiro privadas de justiça, e agora as do caso Siad", concluiu.