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Adesão da Palestina à Unesco afasta possibilidade de paz, diz Israel

Governo israelense pretende suspender repasses financeiros

O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad Al-Malki discursou hoje na sede da Unesco
O ministro das Relações Exteriores da Palestina, Riyad Al-Malki discursou hoje na sede da Unesco Foto : Miguel Medina / AFP / CP
A adesão da Palestina à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Estado membro afata as perspectivas de um acordo de paz, afirmou nesta segunda-feira o governo israelense, ao condenar "a manobra unilateral" palestina.

"Israel rejeita a decisão da Assembleia Geral da Unesco aceitando a Palestina como Estado membro da organização", indica um comunicado do ministério das Relações Exteriores, ao estimar que "se trata de uma manobra palestina unilateral que não mudará nada no terreno.

Estados Unidos e Israel devem suspender repasses à Unesco

O governo de Israel anunciou que pretende suspender os repasses financeiros à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) por ter aprovado a admissão do Estado da Palestina. O representante israelense na organização, Nimrod Barkan, disse que os israelenses deverão seguir o exemplo norte-americano e retirar o apoio financeiro.

Em 2011, a contribuição financeira dos Estados Unidos para a Unesco foi cerca de US$ 70 milhões. “Os norte-americanos vão retirar o seu financiamento, que representa 22% do orçamento da organização. Não acredito que continuemos a pagar as nossas contribuições anuais. Penso que vamos seguir os norte-americanos, o que retirará à Unesco cerca de um quarto do seu orçamento”, disse. “Isso fará com que seja impossível à entidade cumprir sua missão.”

A delegação do Brasil votou pelo ingresso da Palestina na Unesco. A decisão foi aprovada por 107 votos a favor, 14 contrários e 52 abstenções. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o governo destaca a primeira vitória obtida pelos palestinos em um órgão ligado à Organização das Nações Unidas.

Até então, a Palestina era membro observador da Unesco. Do total de delegações, votaram contra a admissão do Estado da Palestina os representantes de Israel, do Canadá, da Austrália e dos Estados Unidos, entre outros, por considerar a medida prematura.

Para o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, a aprovação deve ser comemorada pelos impactos que causará. “Essa resolução (na Unesco) tem um efeito dominó potencial em outras agências especializadas da ONU e em Nova York”, disse ele.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) aprovou, nesta segunda-feira, o reconhecimento do Estado da Palestina como membro independente do órgão. A análise do pedido, que ocorreu em Paris, contou com 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções.

"Esta votação vai apagar uma pequena parte da injustiça cometida contra o povo palestino", afirmou o ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Malki. Israel, Estados Unidos, Alemanha e Canadá votaram contra, enquanto a Itália eo Reino Unido se abstiveram. Quase todos os países árabes, africanos e da América Latina optaram pela adesão. A França, que tinha sérias reservas, também votou a favor. "A entrada da Palestina leva o número de Estados-membros da Unesco a 195", afirmou a Unesco em um comunicado.


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