Henri Falcón e Javier Bertucci, adversários do presidente Nicolás Maduro nas eleições deste domingo na
Venezuela, denunciaram irregularidades do governo para mobilizar eleitores e pediram que as autoridades ajam. Os dois candidatos centraram suas denúncias nos polêmicos "pontos vermelhos", postos do governante Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) colocados na rua próximos aos colégios eleitorais.
O PSUV pede para os que possuem o "Carnê da pátria" - documento necessário para ter acesso aos programas sociais - passem por esses locais para reportar sua participação nas urnas. "A instalação dos 'pontos vermelhos' como mecanismo de pressão, elemento de chantagem política e social, contra um setor da população (...) se tornou um vírus", disse à imprensa Falcón após votar na cidade de Barquisimeto (oeste do país). Também denunciou que testemunhas de seu partido foram desalojadas dos centros de votação e que, inclusive, um deles foi espancado e detido.
"Como não denunciar quando se leva as pessoas como se fossem cordeirinhos? Tem que dar liberdade às pessoas", expressou Bertucci após votar em Valencia (norte). Durante a campanha, Maduro chegou a prometer "prêmios" para os que tivessem o "Carnê da pátria" e fossem votar.
Tanto Falcón como Bertucci pediram ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) - de linha governista - para "tomar as rédeas na questão". "As denúncias relativas aos pontos políticos foram atendidas", assegurou a presidente do CNE, Tibisay Lucena, em entrevista coletiva posterior às reclamações dos candidatos.
Os "pontos vermelhos" são aceitos pelo CNE, mas devem ficar a não menos que 200 metros dos colégios. Falcón e Bertucci asseguraram que a lei está sendo violada. O ministro de Comunicação e chefe de Campanha de Maduro, Jorge Rodríguez, assegurou que se tratam "de casos isolados" e que, uma vez denunciados, foram tomadas as medidas imediatas.
EUA dizem que eleições são uma fraude
Os Estados Unidos denunciaram a ausência total de legitimidade nas eleições presidenciais da Venezuela realizadas neste domingo, em que o presidente Nicolás Maduro busca a reeleição. "A farsa das eleições não muda nada. Precisamos que o povo venezuelano controle este país... uma nação com muito a oferecer ao mundo", escreveu no Twitter o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.
Em sua mensagem, Pompeo também pediu ao governo de Maduro que liberte o americano Joshua Holt, um missionário preso em 2016 sob acusação de conspirar contra o governo. "As chamadas eleições na Venezuela de hoje não são legítimas", tuítou Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado.
"Os Estados Unidos estão do lado das nações democráticas no mundo que apoiam o povo venezuelano e seu direito soberano de eleger seus representantes em eleições livres e justas", acrescentou.
Os Estados Unidos não reconhecem as eleições e pediram a Maduro que as cancelasse. Washington sancionou na sexta-feira o poderoso líder venezuelano Diosdado Cabello, vice-presidente do Partido Socialista Unido (PSUV), acusado de tráfico de drogas e corrupção.
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