A China Aid pediu a Washington garantias à segurança de Chen e para que a família dele não sofra represálias, por considerar que o assunto representa "um momento chave para a diplomacia americana dos direitos humanos".
O diretor da ONG, Bob Fu, figura importante da "Primavera de Pequim" de 1989 e refugiado nos Estados Unidos desde 1996, afirmou nessa sexta-feira que Chen estava em um local "100% seguro", sem revelar mais detalhes. Outro dissidente, Hu Jia, amigo de Chen, afirmou acreditar que ele estava em segurança na embaixada americana.
A presença do advogado no prédio diplomático americano pode elevar a tensão nas relações entre o regime comunista de Pequim e Washington em um momento delicado. A chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, que já citou diversas vezes o caso de Chen, e o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, visitarão a China na próxima semana.
"Se for confirmado, será um tema problemático para as duas partes. É politicamente muito, muito sensível", declarou o analista em relações internacionais da China na Universidade de Pequim, Zhu Feng.
Chen Guangcheng, de 40 anos, advogado autodidata e crítico ferrenho dos excessos da política do filho único na China, confirmou a fuga, apesar de sua deficiência visual, em um vídeo divulgado na internet e destinado ao primeiro-ministro Wen Jiabao.
Chen, que ficou cego após uma doença infantil, deixou a prisão em setembro de 2010, depois de cumprir pena de mais de quatro anos. Conhecido como o "advogado descalço", Chen foi colocado em prisão domiciliar. Sua casa de Dongshigu, em Shandong, da qual escapou em 22 de abril, de acordo com Bob Fu, estava sob forte vigilância.
O caso acontece dois meses depois da misteriosa visita ao consulado americano de Chengdu (sudoeste) de Wang Lijun, braço direito do ex-dirigente caído em desgraça Bo Xilai. O que, segundo especulações, foi um pedido de asilo negado representou o início de uma série de acontecimentos que acabaram com a carreira de Bo Xilai, que aspirava um cargo na principal instância de governo do Partido Comunista.
O último dissidente chinês famoso que se refugiou na embaixada americana foi Fang Lizhi, que passou um ano na representação após a "Primavera de Pequim", o que provocou uma longa disputa entre chineses e americanos. Fang Lizhi morreu no início de abril nos Estados Unidos.