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Advogado desaparecido de iraniana condenada está na Turquia

Jurista Mohammad Mostafai havia sumido no dia 24 de julho, quando sua casa foi revistada

Advogado de iraniana condenada a apedrejamento é encontrado
Advogado de iraniana condenada a apedrejamento é encontrado Foto : Reprodução AFP / CP
O advogado de uma iraniana condenada à morte por apedrejamento, e de quem não se tinha notícias há 12 dias, está na Turquia, onde apresentou pedido de asilo, confirmou nesta quarta-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (HCR). O jurista Mohammad Mostafai estava desaparecido desde uma revista feita em sua casa, no dia 24 julho por policiais iranianos.

"Está numa prisão na Turquia, onde o encontramos", declarou à AFP Metin Corabatir, porta-voz do HCR. O jornal liberal Radikal havia anunciado antes que o advogado teria sido detido ao entrar na Turquia devido a um problema no passaporte, sem precisar a data e o local da detenção.

Militante dos direitos humanos, Mostafai defendia Sakineh Mohammadi-Ashtiani, uma mulher de 43 anos condenada à morte por um tribunal iraniano que a julgou culpada de adultério. A sentença de lapidação, que motivou numerosas condenações no mundo ocidental, foi temporariamente suspensa pelo ministro da Justiça, Sadeq Larijani.

O governo brasileiro chegou a oferecer asilo à iraniana. Mas, segundo o ministério iraniano das Relações Exteriores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou-se levar pela emoção e agiu sem conhecimento de causa ao propor o asilo.

"Lula tem um temperamento muito humano e emotivo (...) e provavelmente não recebeu informações suficientes sobre este caso", declarou o porta-voz do Ministério, Ramin Mehmanparast.

No sábado, Lula propôs que seu país recebesse Sakineh Mohamadi Ashtiani, de 43 anos e mãe de dois filhos, condenada em 2006 por ter mantido "uma relação ilegal" com dois homens depois da morte de seu marido. Além disos, é acusada de assassinato e outros crimes, segundo a agência Irna.

"Quero fazer um apelo a meu amigo (o presidente iraniano Mahmud) Ahmadinejad, ao líder supremo do Irã (Ali Khamenei), e ao governo do Irã para permitir que o Brasil possa receber a mulher", disse Lula durante uma visita a Curitiba. "Tenho que respeitar as leis de um país. Mas se minha amizade e o respeito que tenho pelo presidente do Irã e pelo povo iraniano valerem de algo, se esta mulher causa mal-estar, poderíamos recebê-la no Brasil", acrescentou Lula.

A condenação à morte por apedrejamento de Sakineh Mohamadi Ashtiani gerou mal-estar nos países ocidentais, e foi temporariamente suspensa pela justiça iraniana. Washington pediu na segunda-feira que o Irã aceitasse a oferta brasileira.