A juíza francesa encarregada do caso, Sylvie Zimmerman, comunicou pela manhã o diretor geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, do indiciamento como pessoa física da companhia à qual pertencia o Airbus A330 que caiu na costa brasileira.
No estágio atual, os investigadores consideram que uma falha das sondas Pitot, que servem para medir a velocidade do avião, pode ser uma das causas do acidente, mas não pode ser por si só a causa da catástrofe. "Com certeza, contestamos totalmente este indiciamento. Consideramos que ele carece de fundamento", declarou Gourgeon a jornalistas ao final de sua audiência com a juíza.
Segundo ele, a magistrada não forneceu esclarecimento sobre esse indiciamento. "O que entendemos, é que a instrução a esse estado não revela falha e que ela não indica a ligação de causalidade entre os fatos apresentados pelos especialistas e o acidente", acrescentou Gourgeon. "Pretendemos manter nossa cooperação com os investigadores", assegurou o dirigente da Air France. Esse indiciamento ocorre no dia seguinte ao da Airbus, que construiu a aeronave acidentada.
Os especialistas teriam, no entanto, considerado "tarde demais e ineficaz" a reação da Air France aos primeiros alertas sobre a confiabilidade das sondas Pitot. "Não é de jeito algum a nossa convicção, é justamente o contrário", respondeu nesta sexta-feira o diretor geral da companhia.
Na quinta-feira, o presidente da Airbus, o alemão Thomas Enders, já havia lamentado a acusação, considerando a decisão da juíza prematura. Já as associações de vítimas francesas e brasileiras se mostraram satisfeitas. "Estamos muito satisfeitos com esta decisão porque a Airbus terá mais atenção com essa aeronave. Depois do acidente, seis outros aviões Airbus caíram", declarou no Rio Nelson Marinho, presidente da Associação Brasileira das Famílias das Vítimas.
Novas operações de busca no mar pelos destroços do Airbus devem ser iniciadas na segunda-feira em uma nova zona de 10 mil km2. Será a quarta fase de busca da aeronave acidentada e por suas caixas-pretas, que poderá durar até julho. Essa etapa será dividida em três fases, de 36 dias cada.
Até o momento, apenas 3% do avião e 50 corpos foram resgatados nos dias que se seguiram à catástrofe aérea. "Nossas equipes no local estão convencidas de que elas têm uma chance de encontrar elementos, de encontrar destroços, e na melhor das hipóteses, as famosas caixas-pretas", ressaltou Gourgeon.
A Agência Europeia de Segurança Aérea (AESA) se disse preparada para prestar esclarecimentos neste caso. As partes civis queixam-se de que a agência não soou o alarme sobre o gelo encontrado nas sondas Pitot em outros voos antes da catástrofe e de querer impor a sua imunidade europeia.