A Al-Qaeda na Península Arábica reivindicou o ataque fracassado de 25 de dezembro contra um avião norte-americano, num comunicado postado em um website islâmico, disseram organizações dos Estados Unidos que monitoram mensagens extremistas. O grupo afirma que o ato foi uma vingança contra os EUA pelos ataques que Washington vem fazendo contra a Al-Qaeda no Iêmen.
O comunicado, que foi acompanhado por uma fotografia do suspeito de realizar a tentativa do ataque, o nigeriano Umar Farouk AbdulMutallab, se orgulhou de que o "irmão nigeriano" tenha enganado todas as barreiras de segurança para sua fracassada operação, afastando o "grande mito" da inteligência americana, disse o suite Intelligence, grupo que monitora sites de extremistas.
O comunicado afirma que AbdulMutallab usou tecnologia de explosivos desenvolvida no "departamento de manufatura" dos mujahedin da Al-Qaeda na Península Arábica. O ramo da Al-Qaeda reconhece que uma "falha técnica" provocou o fracasso da operação.
Autoridades tentam entender falha na segurança
O governo americano tentava compreender nesta segunda-feira como o terrorista do voo 253 conseguiu entrar no avião com explosivos.A tentativa de um jovem nigeriano de fazer explodir em voo um avião da Northwest entre Amsterdã e Detroit (Michigan), com 290 pessoas a bordo, no dia de Natal, colocou em destaque a questão das medidas de segurança aérea, oito anos após os atentados do 11 de Setembro, que deixaram quase 3 mil mortos. O nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab conseguiu entrar no voo 253 com pentrita, um explosivo muito potente.
O presidente Barack Obama "apresentou ao ministério da Segurança Interna a questão muito concreta de saber como alguém com algo tão perigoso como pentrita conseguiu pegar um avião em Amsterdam", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. Em pronunciamento, Obama disse ao povo americano que é crucial manter a pressão sobre os grupos terroristas, detalhando a revisão das normas de segurança que determinou após a tentativa de atentado.
Segundo outro porta-voz da Casa Branca, Bill Burton, "o presidente destacará a tentativa de ataque terrorista no dia do Natal".A titular da Segurança Interna, Janet Napolitano, destacou a questão de como um suspeito pôde pegar um avião com visto americano após seu pai alertar as autoridades dos Estados Unidos sobre a atitude radical do filho. Esta questão fará "parte do processo" de revisão das medidas para se evitar que um "passageiro perigoso possa embarcar para os Estados Unidos", disse Napolitano à CNN.
Em Detroit, a Justiça indicou que o jovem nigeriano, que se queimou durante o atentado, será apresentado a um juiz federal no dia 8 de janeiro, quando ocorrerá a acusação formal.Obama ainda não fez qualquer declaração pública após o atentado, mas segundo seus assessores, o presidente "deu a ordem para a adoção de todas as medidas necessárias para reforçar a segurança das viagens aéreas".
Funcionários da Casa Branca revelaram que Obama pediu um relatório urgente sobre o incidente, no momento em que crescem as críticas de seus adversários sobre a política de segurança do atual governo.Bill Burton, porta-voz de Obama no Havaí, disse que o "presidente não quer politizar a questão do incidente aéreo (...) e tratá-la como politicagem, mas sim reencontrar a unidade que mobilizou o país após o 11 de Setembro".
As informações são da Dow Jones e AFP.
Al-Qaeda assume tentativa de ataque a avião no Natal
Ato foi uma vingança por ofensiva de Washington contra o grupo terrorista no Iêmen