A Al-Qaeda no Iraque decretou, nesta sexta-feira, um "toque de recolher" nacional na tentativa de impedir a realização das eleições de domingo, noticiou a agência de monitoramento de sites islâmicos SITE.
"O Estado Islâmico declara pela primeira vez um toque de recolher no dia das eleições, das seis da manhã às seis da tarde, em todo o Iraque e especialmente nas áreas sunitas", anunciou o grupo em mensagem postada em seu site na internet, ainda segundo o SITE.
"Pela segurança do nosso povo, qualquer um que tomar conhecimento disto, repasse a quem não souber e se abasteça com as provisões necessárias para o toque de recolher", acrescentou a Al-Qaeda.
O Estado Islâmico do Iraque, braço da Al-Qaeda no país, acrescentou no comunicado que qualquer um que desafiar o toque de recolher "infelizmente exporá a si próprio à ira de Alá e, portanto, a todos os tipos de armas dos 'mujahedins'".
A participação sunita é amplamente aguardada nas eleições deste domingo, em contraste com o boicote nas eleições de 2005, apesar da memória ainda recente dos confrontos sangrentos com a maioria xiita que deixou dezenas de milhares de mortos.
Ao denunciar a "Ocupação dos Cruzados", liderada pelos Estados Unidos, o grupo extremista destacou que "a participação política, com o passar do tempo, tem se tornado inútil para repelir sua maldade; ao contrário, tem estabelecido seus ganhos e só aumentado sua ousadia e seus ataques contra nós e nossos símbolos", acrescentou.
A advertência da Al-Qaeda foi lançada no mesmo dia em que líderes iraquianos pediram a seus concidadãos, durante as orações de sexta-feira - dia sagrado para os muçulmanos - que votem nas eleições legislativas para salvaguardar a incipiente democracia do país.
Incitando a minoria sunita a pegar em armas contra seus inimigos, a Al-Qaeda insistiu em que "é a língua da força, do combate, do massacre e toneladas de explosivos que derrubam estas cabeças apodrecidas a fim de purificar a Terra, que está repleta de seu politeísmo e infidelidade".
A organização extremista também buscou insuflar a ira sunita em sua disputa pelo poder após a queda do regime de Saddam Hussein.
"Após participar de cada eleição, os sunitas fizeram outra coisa do que emergirem mais fracos no poder e menos afortunados em tudo?", cutucou a mensagem do Estado Islâmico do Iraque.
"Em toda ocasião, eles (os xiitas no poder) declararam quase abertamente seu objetivo primário em sustentar a nova realidade, que determina que os sunitas, após estas eleições, são uma minoria que deve se render a eles e se inclinar diante de seu poder opressor", concluiu.
Al-Qaeda decreta toque de recolher no Iraque para impedir eleições
Advertência foi lançada após líderes iraquianos pedirem participação dos eleitores no pleito