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Alemanha: líder da AfD renuncia ao cargo e é banido de eventos eleitorais após isentar nazistas

Maximilian Krah, líder do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), anunciou nesta quarta-feira, que deixou a liderança do partido após uma série de controvérsias com aliados, incluindo comentários controversos sobre nazistas. Krah, favorito do partido para disputar as eleições do Parlamento Europeu em junho, causou indignação ao afirmar ao jornal italiano La Repubblica que um membro da SS nazista "não é automaticamente um criminoso". "Antes de declarar alguém criminoso, quero saber o que ele fez", declarou. Em resposta, a AfD proibiu Krah de participar de eventos eleitorais, embora ele permaneça como cabeça de lista devido ao curto prazo para substituição.

Em publicação na rede social X, Krah afirmou: "Minhas declarações factuais e diferenciadas estão sendo mal utilizadas como pretexto para prejudicar o nosso partido. A última coisa que precisamos agora é de um debate sobre mim". Acrescentou ainda: "A AfD deve manter sua unidade. Por esta razão, vou me abster de fazer quaisquer outras aparições de campanha com efeito imediato e renunciarei ao cargo de membro do conselho executivo federal".

A fala de Krah levou o partido francês de extrema-direita Rassemblement National (RN) a romper com a AfD no Parlamento Europeu. Jordan Bardella, presidente do RN, decidiu "não se sentar mais" com os alemães na próxima legislatura, conforme informou seu diretor de campanha, Alexandre Loubet, à AFP.

A ruptura entre as extremas-direitas francesa e alemã ocorre pouco antes das eleições para o Parlamento Europeu, nas quais quase 400 milhões de pessoas votarão. Apesar da AfD ter caído de 23% para 15% nas intenções de voto desde o final de 2023, o partido continua em melhor posição do que nas eleições de 2019, quando obteve 11%.

A liderança de Krah na AfD tem sido marcada por várias polêmicas. Em janeiro, a participação de membros do partido em uma reunião de extrema-direita para discutir um projeto de expulsão em massa de estrangeiros gerou comoção na Alemanha. No mês passado, a justiça alemã abriu uma investigação sobre suspeitas de financiamento russo e chinês a favor de Krah. Em abril, Jian G., assistente de Krah e de origem chinesa, foi preso acusado de espionar opositores chineses e compartilhar informações sobre o Parlamento Europeu com um serviço de inteligência chinês, segundo comunicado do Ministério Público federal alemão. Krah declarou na época: "A atividade de espionagem para um Estado estrangeiro é uma alegação grave que, se comprovada, levaria ao despedimento imediato do funcionário".

Na semana passada, Björn Höcke, colega de partido de Krah na AfD, foi multado em 13 mil euros pela Justiça da Alemanha por usar um lema nazista durante um evento eleitoral. Höcke usou o slogan "Alles für Deutschland" ("Todos pela Alemanha") em um comício de 2021, lema das SA, a formação paramilitar nazista. O uso deste slogan é ilegal na Alemanha.