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Alerta de tsunami volta a assustar o Chile

Terremoto de 7,2 graus ocorreu durante a posse do presidente Sebastián Piñera

Piñera assume o lugar de Bachelet
Piñera assume o lugar de Bachelet Foto : Martin Bernetti/AFP
O clima de medo voltou ao Chile nesta quinta-feira. Um alerta de tsunami foi emitido após o terremoto de 7,2 graus de magnitude que sacudiu o país cerca de 20 minutos antes da posse do novo presidente, Sebastián Piñera, em Santiago. O tremor momentâneo gerou confusão entre os convidados da cerimônia. Segundo o Centro Sismológico dos Estados Unidos, o epicentro foi localizado a 144 quilômetros ao sul de Valparaíso.

Depois, seguiram-se outras réplicas menos fortes que a primeira enquanto Piñera pisava o tapete vermelho. Após o susto, a transmissão de cargo ocorreu normalmente na sede do Congresso da República. Diante de dezenas de personalidades estrangeiras, convidados e parlamentares, o novo presidente prestou juramento.

Após a cerimônia, Piñera fez o passeio tradicional dos chefes de Estado a bordo de um Ford Galaxie preto, conversível, de onde saudava as pessoas enfileiradas ao longo da via. Menos de meia hora depois da posse, o Congresso começou a ser evacuado. Enquanto se solicitava aos presentes, por alto-falante, que deixassem o prédio, membros dos carabineiros pediram aos jornalistas que cobriam a cerimônia para que saíssem "urgentemente".

Piñera assinará decretos de emergência

Como um símbolo de seu compromisso com a causa, em seu primeiro ato de governo, Piñera viajará ainda nesta quinta-feira para a devastada cidade de Constitución. O município foi um dos mais afetadas pela tsunami. O novo presidente assinará decretos de emergência que permitam acelerar o reerguimento da região.

"Não seremos o governo do terremoto, mas o governo da reconstrução", resumiu Piñera. Ele confirmou que pedirá ao Congresso mudanças no orçamento para se ajustar "às realidades e às necessidades" da catástrofe. Seu governo é o primeiro da direita desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Nos últimos vinte anos, a Concertación, uma coalizão de quatro partidos de centro-esquerda, governou sem interrupção.

Um dos grandes desafios para o novo chefe de Estado será substituir Bachelet, que deixou o poder com 84% de popularidade graças aos grandes projetos sociais que instaurou no país. A despedida da ex-presidente do Palácio Presidencial mostrou o carisma que a acompanha. Milhares de pessoas se postaram na saída do local para dar seu adeus e pedir que volte como presidente em 2014. 

Piñera prometeu dar continuidade aos programas sociais do governo anterior, acompanhado de um gabinete formado por muitos empresários. Mas qualquer polêmica que possa ter surgido neste campo ficou em segundo plano ante o difícil trabalho de reconstrução do país após o terremoto que deixou centenas de mortos em fevereiro.