Apesar da hora já avançada, medo de assaltos ou qualquer coisa do tipo simplesmente não há nesta realidade, algo bem diferente daqui, infelizmente. Mas diferente também de países da Europa, por exemplo, onde se tem uma sensação de segurança praticamente a todo momento. No Japão não é uma sensação e sim uma certeza. A ver apenas pelas diversas pessoas, incluindo jovens estudantes, caminhando distraidamente com seus celulares pelas ruas.
Essas são apenas duas dentre as muitas diferenças que tornam Brasil e Japão países tão distante culturalmente. Do início ao fim de uma estadia de apenas cinco dias foi impossível não notar o quanto maneiras, costumes e o dia a dia no extremo oriente são de quase todos antagônicos ao que vivemos em Porto Alegre e no Brasil.
Ao longo de alguns tópicos, vamos tentar expor esse contraste observado durante os intervalos da viagem do governador José Ivo Sartori ao país, no início do mês. Viagem essa que visou buscar investimentos na área energética e ambiental a serem confirmados nos próximos meses.
Abaixo algumas das diferenças que mais saltaram aos olhos entre Brasil e Japão. No +Domingo, a lista está completa
Vai uma quentinha aí? Bem, na verdade quente não é, mas eis um típico bentoo, a marmitinha do dia a dia. A comida, em temperatura ambiente, ou fresca, é servida toda separada: um espacinho para o arroz, outro para o pescado, outro para a salada. Um prato bem diferente do arroz e feijão brasileiro. Ah, outra coisa: não espere encontrar cream cheese no sushi.
Metrô
O metrô de Tóquio em nada deixa a desejar a outros sistemas mais “famosos”, como o londrino. Cobre, com pontualidade, praticamente toda a cidade, oferecendo diversas conexões. E leva muita gente. Muita mesmo: em Shibuya passam quase 600 mil pessoas por dia. Apesar da quantidade de gente, não imagine muvuca. Os trens viajam silenciosos, com muitos dos usuários lendo livros ou imersos no mundo dos smartphones.
Cada cidade japonesa tem seu mascote, que é, basicamente, um bichinho bonitinho, claramente com traços do mangá, tradicional no país. Os mascotes, claro, carregam alguma característica de sua região. O Iewaso é um serzinho simpático que toca piano. Ele é o mascote de Hamamatsu, cidade conhecida por ser um polo musical do Japão.
Respeito ao próximo
Quem já viu ou uma luta ou pratica judô sabe como é o cumprimento entre os atletas antes e depois do combate: frente a frente, ambos os atletas se curvam. A cena, que aqui vimos basicamente somente em ocasiões como estas, não é nem um pouco rara no Japão. É uma demonstração de respeito e chega a ser normal normal ver pessoas despedindo-se desta forma até mesmo pelas ruas – ou então quando são apresentadas. Uma formalidade corriqueira e, quanto mais inclinado ou mais tempo curvado, maior a demonstração de respeito com o próximo.
Uma das esquinas mais famosas do mundo fica em Tóquio, no bairro de Shibuya. São, simultaneamente, entre centenas e milhares de pessoas atravessando a rua toda a vez que o sinal fica vermelho para carros. Muita gente vai lá apenas para tirar a foto ou fazer vídeos do movimento. Quem lucra, também, é o tradicional Café Starbucks. Com uma loja no segundo andar bem à frente do cruzamento, muitos dos clientes vão para ver e aproveitam para tomar um café.
Sapatos? Só na rua
Ao visitar um japonês, muito provavelmente você terá de tirar os sapatos. É um costume higiênico local, que as pessoas deixem seus calçados na porta e usem pantufas ou chinelos nas residências alheias. Até mesmo os hotéis disponibilizam uma pequen pantufa com a recomendação: usem apenas no quarto.
Privada
Se na rua, as diferenças entre Brasil e Japão são gritantes, dentro das casas também há umas quantas. Inclusive no banheiro. A privada dos japoneses tem todo um viés tecnológico. Elétrica, tem um estofado que aquece o assento e botões que... jorram água para a limpeza. Sim, também há papel higiênico, mas é só para se secar após o uso da privada.
Um dos motivos para sempre ter alguma grana na carteira quando se dar uma volta pelo Japão é o fato de se deparar a todo momento com máquinas de auto-atendimento. Em meio à correria da vida nipônica, elas quebram o galho e são verdadeiros minimercados nas calçadas, oferecendo diversos produtos – a maioria bebível, entre refrigerantes, água e, claro, chás. E ainda que não aceitem cartões, as máquinas devolvem o troco certinho.
Horta urbana
Famosa por ser sede da assinatura de um dos principais acordos ambientais do mundo, Kyoto se esforça para dar o exemplo. Em meio à urbanização típica das cidades, diversos terrenos foram transformados em hortas. Todas devidamente organizadas bem ali, ao lado das ruas e do asfalto.