Aliado de Trump admite ter condicionado ajuda à Ucrânia a investigação de Biden

Aliado de Trump admite ter condicionado ajuda à Ucrânia a investigação de Biden

Testemunho do embaixador faz parte de processo que investiga se presidente americano cometeu abuso do cargo

AFP

Testemunho do embaixador foi dado no começo de outubro e divulgado nesta terça-feira

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Um aliado de alto perfil do presidente americano, Donald Trump, admitiu ter dito a uma autoridade ucraniana que a ajuda militar de seu país a Kiev estava condicionada à investigação do adversário democrata de Trump, Joe Biden, segundo o testemunho publicado nesta terça-feira. Gordon Sondland, embaixador dos Estados Unidos na União Europeia, contou ter dito a um alto conselheiro do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, que a ajuda militar americana estaria condicionada à investigação por Kiev dos laços de Biden e seu filho, Hunter, com a empresa de energia ucraniana Burisma.

Segundo testemunho dado em 17 de outubro aos legisladores e divulgado nesta terça, Sondland admitiu ter proposto o 'quid pro quo' (expressão latina que significa toma lá, dá cá) supostamente ilegal, negado várias vezes por Trump, em uma conversa em 1º de setembro com Andrei Yermak, alto conselheiro do presidente ucraniano. O embaixador disse que este foi o ponto culminante de meses de pressão sobre Kiev, sobretudo através do advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani, para abrir investigações "anticorrupção" sobre os Biden e a crença - sem fundamentos - de que a Ucrânia teria ajudado os democratas nas eleições de 2016.

Sonland disse a Yermak que "a retomada da ajuda americana provavelmente não ocorreria até que a Ucrânia proporcionasse o informe anticorrupção que tínhamos estado discutindo durante semanas", disse aos investigadores. O embaixador na União Europeia, nomeado ao cargo por Trump, após doar um milhão de dólares para a sua posse, era plenamente consciente da relação entre os 391 milhões de dólares em ajuda militar dos Estados Unidos e a ajuda da Ucrânia a Trump para lutar por sua reeleição no próximo ano.

Sondland admitiu, ainda, perante os legisladores encarregados da investigação prévia ao processo de impeachment contra o presidente compreender que o vínculo entre a investigação e a ajuda militar era "incorreto". Perguntado se o restante era ilegal, o embaixador respondeu: "não sou advogado, mas suponho que sim".


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