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América Latina vai recuperar renda per capita pré-pandemia em 2024, diz FMI

Fundo Monetário projeta que Brasil crescerá 3,7% este ano, recuperando nível do PIB de 2019 em 2022

FMI alerta para novos protestos no mundo por conta da pandemia do novo coronavírus
FMI alerta para novos protestos no mundo por conta da pandemia do novo coronavírus Foto : Olivier Douliery / AFP / CP

A América Latina vai recuperar o nível de renda per capita que tinha antes da pandemia apenas em 2024, estimou nesta quinta-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI), que alertou que a recente onda da Covid-19 mancha "as perspectivas de curto prazo" na região.

"A renda per capita não voltará ao nível anterior à pandemia até 2024, o que causará perdas acumuladas de 30% em relação à tendência pré-pandêmica", apontaram Alejandro Werner, diretor para as Américas do FMI, e outros dois economistas em um blog da entidade.

Em seu último relatório "World Economic Outlook" (WEO) publicado este mês, o FMI melhorou as perspectivas para a América Latina, projetando crescimento do PIB regional de 4,6% este ano, ainda abaixo da média global, de 6%. Assim, em termos de crescimento econômico, o FMI alertou que "o recente surto do vírus no Brasil, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai, somado à lentidão na distribuição de vacinas (exceto no Chile), prejudica as perspectivas de curto prazo".

Os economistas destacaram que a contração de 7% experimentada pela região em 2020 foi a mais pronunciada do mundo, superando em muito a média mundial, que foi de -3,3%, e acrescentaram que a projeção de crescimento para este ano está abaixo das projeções para os mercados emergentes.

Pelas projeções do organismo, o Brasil - que este ano crescerá 3,7% - recuperará o nível do PIB de 2019 em 2022; O México, com uma previsão de expansão de 5%, retornará ao nível pré-pandêmico em 2023, já que "não há apoio fiscal sólido e espera-se que o investimento fraco continue".

O FMI destacou o caso do Chile, que crescerá 6,2% e onde o programa de vacinação é um dos mais avançados do mundo. "No Chile, a rapidez da vacinação e as importantes políticas de apoio constituem um reforço no curto prazo. O país deve atingir o patamar do PIB anterior à pandemia este ano", afirmaram os economistas.

Os especialistas da entidade preveem que o plano de alívio promovido pelos Estados Unidos terá efeitos positivos para alguns países centro-americanos por meio do comércio e das remessas e essas nações voltarão ao patamar do PIB anterior à pandemia em 2022.

"As economias caribenhas que dependem do turismo serão as últimas a se recuperar (em 2024) devido à lenta retomada da atividade neste setor", alertaram os economistas.

O FMI alertou que "os mercados de trabalho continuam frágeis: apenas dois terços dos que perderam seus empregos no início da pandemia no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru o recuperaram no final do ano passado". E destacou ainda que o setor informal - que foi o que registrou as maiores perdas - tem liderado a recuperação do emprego.

Os especialistas observaram ainda que o fechamento de escolas, que foi mais longo do que em outras regiões, significará uma "deterioração duradoura do capital humano". Segundo a análise dos técnicos do FMI, a renda dos alunos com entre 10 e 19 anos pode ser, em média, 4% menor ao longo da vida, se os dias perdidos em 2020 não forem compensados.