Glenn Ford, de 64 anos, um dos prisioneiros que estava há mais tempo no corredor da morte nos Estados Unidos, foi liberado depois que a justiça obteve informações que o absolviam da acusação de um assassinato cometido em 1983. "Minha mente segue em todas as direções, mas está bem", disse Ford aos jornalistas pouco depois de deixar a penitenciária estadual da Louisiana nessa terça-feira.
Ford, um afro-americano que estava no corredor da morte desde 1984, quando foi condenado por um júri integrado totalmente por brancos, afirmou que perdeu a maior parte da vida. "Meus filhos, quando parti, eram bebês. Agora são homens com filhos", disse.
Um juiz ordenou a libertação de Ford depois que os promotores solicitaram ao tribunal a liberdade do réu, anunciou a organização Capital Post Conviction Project da Louisiana. A nova informação obtida corroborou o que Ford havia alegado durante todos os anos: ele não estava presente no local nem estava envolvido no homicídio do joalheiro Isadore Rozeman, cometido em novembro de 1983, destacou a organização.
Rozeman foi encontrado morto, com marcas de tiros, atrás do mostrador de sua joalheria em 5 de novembro de 1983. As notícias da época indicam que a arma nunca foi encontrada e que o crime não teve testemunhas. "Glenn Ford é a prova viva do quão imperfeito é realmente nosso sistema de justiça", afirmou Thenjiwe Tameika, integrante da Anistia Internacional, segundo o canal CNN.
A emissora CBS recordou que, de acordo com as leis de Louisiana, qualquer pessoa que tenha passado um período na prisão e que depois é exonerada das acusações deve receber uma compensação.
A lei determina o pagamento de 25 mil dólares por cada ano de detenção injusta até o valor máximo de 250 mil dólares, além de outros 80 mil dólares pela perda de "oportunidades de vida".