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Americanos ficaram mais unidos após atentados, relata gaúcho

Larry Pinto de Faria Júnior trabalhava na primeira torre atingida há 10 anos




Na manhã de 11 de setembro de 2001, o economista gaúcho Larry Pinto de Faria Júnior, de 53 anos, trabalhava no 25º andar da primeira torre do World Trade Center, em Nova Iorque. Dez anos depois e ainda morando nos Estados Unidos, ele conta que os americanos, em especial os nova-iorquinos, tradicionalmente reservados, ficaram afetuosos e unidos.

“Em um restaurante o atendimento é mais educado, nas ruas os policiais são mais solícitos. Os moradores ficaram mais solidários uns com os outros, mais amistosos, mais amáveis. Quando eu entrava em uma loja, parecia que estava fazendo um favor”, exemplifica. “Hoje o isolamento voltou um pouco, mas não a como era antes do 11/9”, completa.

Testemunha da história, Larry conta que a segurança se tornou uma obsessão no país. “Viajar de avião hoje é um inferno: antes de entrar em qualquer voo há muitas perguntas, muitos questionários: ‘não pode viajar com líquido’, ‘volta para deixar o objeto cortante’. Tem fila, precisa tirar o sapato, há muita espera. Mas todo mundo aceita, eu não vejo ninguém reclamar. Os americanos entendem que é importante”, relata.

Especialmente em Nova Iorque, a segurança contra o terrorismo se estende a túneis, pontes e metrôs. “O policiamento não é ostensivo, mas é constante. Eles tentam a todo custo evitar qualquer possibilidade de um novo atentado.”

O dia dos atentados

Larry conta que, cerca de um ano e meio antes dos ataques ao WTC, trabalhava no 84º andar da segunda torre atingida pelos aviões seqüestrados pela Al-Qaeda. Na manhã do dia 11 de setembro, estava na primeira torre, acertada em cheio na face Norte às 8h46min. ”Parecia um terremoto, o prédio balançava como um pêndulo. Meu celular caiu no chão.” Ele conta que, mesmo com o pânico, a saída foi ordeira. “Formamos duas filas e deixamos o lado esquerdo da escada pros bombeiros subirem, como fomos orientados”, descreve.

O economista afirma que, naquele momento, aprendeu a respeitar os americanos pela organização. “Não houve nenhum empurrão, ninguém tentou passar na frente de outra pessoa”, diz. Quando ele desceu, presenciou algumas das imagens que se tornaram imortalizadas pela imprensa naquele dia: pessoas machucadas, muita fumaça, papeis pelo chão. Boa parte dos antigos colegas de trabalho morreram no ataque terrorista.

Atualmente, Larry mora em Miami com a esposa, onde trabalha em uma corretora de mercado financeiro. Ele conta que a cidade, mesmo tendo muitos imigrantes latino-americanos e sendo tradicionalmente mais aberta aos estrangeiros, também sente o reflexo dos atentados. “Tá diferente a coisa, tá mais humana”, resume.

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