Ancara rejeita explicação de Moscou sobre bombardeios a militares turcos na Síria

Ancara rejeita explicação de Moscou sobre bombardeios a militares turcos na Síria

Pelo menos 33 militares turcos morreram nestes ataques atribuídos às tropas de Damasco

AFP

Soldados turcos foram mortos em um bombardeio no noroeste da Síria na quinta

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As autoridades de Ancara rejeitaram, nesta sexta-feira (28), as explicações russas, de que os soldados turcos mortos em um bombardeio no noroeste da Síria na quinta se encontravam em meio a "terroristas". "Quero ressaltar que nenhum grupo armado estava perto das nossas unidades militares no momento deste ataque", declarou o ministro turco da Defesa, Hulusi Akar, citado pela agência pública Anadolu. Pelo menos 33 militares turcos morreram nestes ataques atribuídos às tropas de Damasco na região de Idlib.

Por conta deste episódio, o presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, conversaram por telefone nesta sexta, relatou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. O telefonema aconteceu por iniciativa de Ancara, acrescentou Lavrov, que apresentou suas condolências à Turquia. O ministro russo disse querer evitar que "tragédias assim" aconteçam e que Moscou "faz de tudo para garantir a segurança dos soldados turcos" estacionados na Síria. Segundo o Kremlin, a "escalada das tensões na Síria" preocupa Putin e Erdogan. 

Nesta mesma linha, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, manifestou nesta sexta a preocupação do bloco com um "risco de confrontação militar internacional maior" na Síria. Afirmou ainda que "vai considerar todas as medidas necessárias para proteger nossos interesses em matéria de segurança". "É urgente pôr um fim à escalada atual. Há um risco de se cair em uma confrontação militar internacional aberta maior", tuitou Borrell. "A UE faz um apelo a todas as partes para uma rápida desescalada e lamenta todas as perdas de vidas", insistiu o diplomata.

Explicações russas não convencem

Nesta sexta, o Exército russo afirmou que os soldados turcos se encontravam em meio a "unidades de milicianos de grupos terroristas", os quais eram os alvos dos aviões. "Militares turcos, que estavam em unidades de milicianos de grupos terroristas, se encontraram sob o fogo de soldados sírios", na província de Idlib, declarou o Ministério em um comunicado. "As forças aéreas da Rússia não foram usadas nesta zona", continuou o texto.

A Corporação acrescentou que a Turquia não havia indicado que tinha tropas na região, onde também "não deveria estar". Estas declarações foram rebatidas pelo ministro turco da Defesa. "O ataque aconteceu, inclusive, quando a posição das nossas unidades militares havia sido comunicada às autoridades russas presentes no terreno", ressaltou Akar.

"O ataque continuou, apesar das nossas advertências, depois do primeiro bombardeio. Durante os ataques, até as ambulâncias foram atingidas", insistiu ele. Esta troca de acusações ilustra a tensão que reina entre Moscou e Ancara há semanas, coincidindo com o início da ofensiva na região de Idlib, último bastião rebelde e extremista na Síria.


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