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André Esteves é citado em arquivos de Epstein, mas nega presença em reunião

E-mail comenta que emissário do financista iria se encontrar com o condenado por tráfico sexual

Rede de conexões do magnata norte-americano afetou todo o mundo
Rede de conexões do magnata norte-americano afetou todo o mundo Foto : Martin Bureau / AFP / CP

Um e-mail enviado em 2012 para Jeffrey Epstein, incluso na nova leva de documentos do caso Jeffrey Epstein divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em 30 de janeiro, menciona que um emissário do financista iria se encontrar com o banqueiro brasileiro André Esteves, do banco BTG Pactual. Por meio de sua assessoria de imprensa, Esteves nega a existência da reunião e afirmou que nunca falou com Epstein ou com Ian Osborne, parceiro de negócios do americano acusado de tráfico sexual de menores. “Não houve nenhum encontro ou conversa de André Esteves com Ian Osborne, muito menos com Jeffrey Epstein”, afirmou, em nota.

A menção ao encontro com o brasileiro aparece em um e-mail enviado por Osborne a Epstein na noite de 19 de abril de 2012. Ele escreve: “Acabei de pousar em São Paulo. Pegando um helicóptero para encontrar André Esteves. Te ligo quando terminar.” Epstein responde pedindo informações sobre a agenda com outros empresários, citando os nomes Bloomberg, Eike e Brockman.

Nas mensagens do mesmo dia e do seguinte, não há novas menções ao encontro com Esteves. Osborne é um empresário britânico do setor de tecnologia que representava Epstein em negociações.

O mesmo Osborne relata 12 encontros com o empresário Eike Batista. As mensagens também se concentram no ano de 2012 e revelam um interesse persistente de Epstein em fechar negócios com o brasileiro, que detinha uma das maiores fortunas do mundo naquele momento. Apesar desse interesse, as próprias mensagens indicam que não houve acordo entre os dois.

Não há menções a encontros entre Epstein e Eike, assim como também não há registros de encontros com Esteves. Os brasileiros não foram implicados nas acusações de crimes sexuais pelas quais o financista foi condenado.

As investigações contra o milionário americano começaram em 2005, após os pais de uma menina de 14 anos denunciarem que o financista havia abusado sexualmente da jovem em sua casa em Palm Beach, na Flórida. A denúncia abriu caminho para outras investigações, e Epstein foi condenado em 2008 por exploração sexual e facilitação à prostituição de menores.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Eike Batista afirmou ao Estadão não se lembrar de Ian Osborne nem dos encontros com o britânico. O empresário reiterou o teor da nota divulgada anteriormente sobre o tema. “O empresário Eike Batista não conhece, nunca conversou ou trocou mensagens com Epstein”, diz o comunicado.