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Ano de 2025 foi o terceiro mais quente já registrado; confira projeção para 2026

Temperatura média global dos últimos três anos ultrapassou o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais

Aumento térmico entre 2023 e 2025 foi classificado como "extremo" pelos especialistas
Aumento térmico entre 2023 e 2025 foi classificado como "extremo" pelos especialistas Foto : DAVID SWANSON / AFP

O observatório europeu Copernicus e o instituto americano Berkeley Earth confirmaram, nesta quarta-feira (14), que 2025 consolidou-se como o terceiro ano mais quente já registrado. O relatório anual aponta um cenário alarmante: pela primeira vez, a temperatura média global dos últimos três anos ultrapassou o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Cientistas alertam que a superação permanente desta meta do Acordo de Paris deve ocorrer mais de uma década antes do previsto.

O aumento térmico entre 2023 e 2025 foi classificado como "extremo" pelos especialistas, indicando uma aceleração sem precedentes. Este fenômeno coincide com um momento de fragilidade na cooperação climática internacional.

Sob o governo de Donald Trump, os Estados Unidos — segundo maior emissor de gases de efeito estufa — retomaram o foco no petróleo e reativaram usinas de carvão, anulando anos de progressos ambientais. Na Europa, países como Alemanha e França também registraram estagnação na redução de suas emissões.

Projeções para 2026 e o fator El Niño

A tendência de alta deve persistir. Samantha Burgess, diretora-adjunta do Copernicus, estima que 2026 figurará entre os cinco anos mais quentes da história. Embora a previsão inicial seja de estabilidade em relação a 2025, o possível retorno do fenômeno El Niño pode transformar 2026 em um novo ano recordista.

Para os cientistas, independentemente da oscilação anual, a trajetória de aquecimento sustentado é clara e impulsionada pela queima contínua de combustíveis fósseis.

Em 2025, a média global de 1,47°C acima do nível pré-industrial escondeu recordes dramáticos em regiões como Ásia Central, Antártica e o Sahel. O ano foi marcado por ciclones intensos, ondas de calor e incêndios devastadores no Canadá, Espanha e Califórnia.

Robert Rohde, do Berkeley Earth, aponta ainda um fator secundário: a redução do enxofre em combustíveis navais pode ter contribuído para o aquecimento, já que esses aerossóis anteriormente refletiam a luz solar para fora da atmosfera.

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