Pelo menos 80 presos políticos foram libertados neste domingo, 25, na Venezuela, onde um processo de soltura de detidos avança a conta-gotas sob pressão de Washington, informou a ONG Foro Penal. O governo de Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura de Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro, prometeu um "número importante" de libertações.
A oposição e ONGs defensoras de direitos humanos denunciam, no entanto, a lentidão no processo. Familiares aguardam do lado de fora dos presídios e passam a noite ao relento na esperança de ver seus entes queridos saírem das celas.
"Pelo menos 80 presos políticos que estamos verificando foram libertados hoje em todo o país. É provável que ocorram mais solturas", escreveu o diretor do Foro Penal, Alfredo Romero, na rede social X. O advogado Gonzalo Himiob, também do Foro Penal, afirmou que as libertações ocorreram durante a madrugada. "Esse número ainda não é definitivo e pode aumentar à medida que fizermos mais verificações", acrescentou no X.
O governo venezuelano contabiliza 626 libertações desde dezembro, número que o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pedirá para verificar, disse Rodríguez na sexta-feira. O total oficial contrasta com relatórios de ONGs. O Foro Penal contabiliza cerca da metade no mesmo período. Rodríguez, que governa de forma temporária, promoveu uma mudança súbita na desgastada relação entre Caracas e Washington.
- Venezuela busca aumentar sua produção de petróleo em 18% até 2026 com reforma legislativa
- Lula diz estar “indignado” com captura de Maduro pelos EUA
- Venezuela vai pedir a comissário da ONU que verifique a libertação de presos, em meio a denúncias de lentidão
No sábado, a presidente interina convocou a oposição a "alcançar acordos" para conquistar a "paz" no país, que os Estados Unidos dizem controlar após a incursão militar que depôs Maduro. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, são processados em Nova York por narcotráfico. A Venezuela tem vivido anos de um rígido controle estatal.
Os protestos espontâneos contra a contestada reeleição de Maduro em 2024 terminaram em repressão e na prisão de mais de 2.000 pessoas em 48 horas. Além disso, está em vigor um estado de comoção que pune com prisão quem apoiar o ataque americano.