Morales foi recebido no terminal aéreo pelo vice-presidente Alvaro García, autoridades políticas e militares, assim como por representantes dos sindicatos que constituem sua base política. A chegada do presidente a La Paz antecede uma reunião convocada pela Unasul para esta quinta-feira na cidade de Cochabamba. O objetivo é analisar o incidente com o governante boliviano e manifestar apoio.
Morales partiu de Viena na manhã de quarta, onde realizou um pouso de emergência depois de partir de Moscou. Quatro países europeus negaram a permissão de sobrevoo por suspeitas de que a aeronave estivesse transportando o ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden, procurado pelos Estados Unidos e refugiado há dias no Aeroporto de Moscou. Ele é acusado de vazar informações sobre o esquema de espionagem do governo americano.
Várias horas depois, Paris, Lisboa e Itália voltaram a conceder a permissão ao avião presidencial boliviano, que permaneceu em Viena até receber a autorização espanhola. "Alguns países da Europa têm que se libertar do império norte-americano. Não vão nos assustar porque somos um povo com dignidade e soberania", afirmou Morales em um breve discurso no aeroporto.
O avião da Força Aérea Boliviana realizou ainda escalas técnicas em Fortaleza e na ilha de Gran Canária, na Espanha. La Paz insiste que os quatro países europeus impediram o uso de seu espaço aéreo por pressões de Washington. O governo boliviano voltou a denunciar que Paris, Lisboa, Madri e Roma proibiram a passagem pelo "boato" que a aeronave transportava a Snowden.
O governo boliviano também informou que recebeu dos Estados Unidos um pedido de extradição de Snowden se este entrar no país sul-americano, informou o chanceler David Choquehuanca. Mas La Paz devolveu a solicitação a Washington com o argumento de que a mesma era "estranha, ilegal, infundada e sugestiva" e não cumpria com os requisitos internacionais.