Mundo

Após 19 anos, Argélia suspenderá estado de emergência

Protestos na região não se restringem ao Egito; leia mais sobre outros países

Clientes de um bar em Argel acompanham, pela televisão, os confrontos no Egito
Clientes de um bar em Argel acompanham, pela televisão, os confrontos no Egito Foto : Farouk Batiche /AFP / CP
O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, afirmou nesta quinta-feira que o estado de emergência, em vigor há 19 anos no país, será suspenso "em um futuro próximo". Segundo ele, o regime foi instalado unicamente em resposta "à luta contra o terrorismo".

Leia mais sobre a crise no Egito

O anúncio foi feito em meio a pedidos de membros da sociedade civil e partidos de oposição, que querem o fim do estado de emergência da Argélia. O país enfrentou um conflito brutal em 1990 envolvendo insurgentes islâmicos e com um saldo de milhares de mortos.

No início de janeiro, cinco dias de protestos contra os altos preços de produtos resultaram em cinco mortos. Uma manifestação em prol da democracia estava prevista para 12 de fevereiro, mas foi banida pelas autoridades.

Síria

A Síria, onde o partido Baath está no poder há cerca de 50 anos, também pode ser tocada pelo movimento de contestação social e político que agita o mundo árabe, segundo o pesquisador do Instituto de análises militares do Oriente Médio e do Golfo (Inegma), Riad Qahwaji. "Nenhum país árabe está ao abrigo dos movimentos de protesto, com suas reivindicações. Na verdade, a oposição se sente lesada diante de poderes absolutos e da falta de democracia".

Qahwaji explica que os movimentos populares ganham força através de novos meios de comunicação, como a internet, e inspirando-se nos países vizinhos. O partido Baath está no poder na Síria desde 1963, quando foi decretado o estado de emergência, ainda em vigor. Após a morte, em 2000, de Hafez al-Assad, que dirigia o país desde 1970, seu filho Bachar foi eleito presidente.

A Síria está confrontada a "desafios consideráveis", admitiu recentemente um funcionário de alto escalão. A pobreza atinge 14% dos 22 milhões de sírios e o desemprego, 20% da população ativa. Em janeiro, o governo anunciou a criação de um Fundo Nacional para a Ajuda Social, num total de US$ 250 milhões e destinado a 420 mil famílias.


Visualizar Mundo Árabe em crise em um mapa maior

Bookmark and Share